Trilogia Fronteiras do Universo

Como vocês já sabem, eu nutro algumas paixões no mundo da fantasia. As principais são a literatura infanto-juvenil e a ficção científica.

A razão para eu gostar de literatura infanto-juvenil é que, nela, a imaginação nunca morreu. Diferente dos outros estilos, na literatura infanto-juvenil ainda temos fantasmas, heróis, bruxas, animais falantes, enfim: os problemas ainda estão disfarçados por metáforas, o que torna tudo mais divertido. Por mais que nosso cinema tenha avançado, os livros infanto-juvenis ainda são o melhor suporte para as histórias que exigem mais da nossa imaginação e que nos levam para outros mundos, outras realidades, e expandem nossas mentes para uma realidade mais suave, com menos arestas de mundo real.

De realidade crua, pra mim, basta a realidade em si mesma. Quando eu leio, quero esquecer da realidade. Quero absorver uma história exageradamente fantástica, porém verossímel. Como Avatar, por exemplo. Sabemos que ainda não podemos viajar entre planetas e que é apenas uma história, mas se pudéssemos seria possível encontrar seres tão incríveis em um outro mundo, uma outra realidade.

A razão para eu gostar de ficção científica é justamente essa: pode ser verdade um dia. Ela anda próxima o suficiente da ciência para ter uma base verossímel, mas distante o suficiente para ser divertido imaginar. Ou seja: quase a mesma coisa.

Por isso, nesse post, não vou me ater à história dos três livros que compõem a série Fronteiras do Universo, mas vou dizer o que aprendi com eles. O que senti lendo. Talvez isso lhe motive mais a ler do que se eu apenas contar de novo o que você pode encontrar em qualquer site pela internet.

Interesse

Descobri A Bússola de Ouro no filme de 2007. Me apaixonei instantaneamente, talvez por ser um pouco parecido com Narnia. Ah, eu não poderia estar mais enganada! Lyra ainda iria me surpreender tanto!

Resumo:

Em um universo paralelo, a jovem Lyra Belacqua viaja para as terras longinquas do Norte para salvar seu melhor amigo e outras crianças sequestradas para terríveis experiências feitas por uma misteriosa organização.

O filme acaba do nada, dando margem a continuação. Eu fiquei esperando e ela nunca veio. Da mesma forma, fiquei esperando aqueles combos de promoções de livros do Submarino, e eles também nunca vieram. Então tomei coragem e comprei a trilogia.

A Bússola de Ouro

Resumo:

Lyra Belacqua é uma garota de 12 anos que foi criada por catedráticos na tranqüila cidade universitária de Oxford, na Inglaterra. Lá, crianças começam a desaparecer misteriosamente, seqüestradas por misteriosas pessoas que são chamadas de gobblers. Após conhecer a Sra. Coulter, uma importante e influente mulher, Lyra deixa a universidade para viver e aprender com ela, e parte com um objeto em suas mãos: o aletiômetro (a própria bússola; antiguidade raríssima capaz de dizer a verdade). Mas após descobrir que a Sra. Coulter comanda os gobblers, Lyra foge e inicia sua jornada as terras gélidas do Pólo Norte com os Gípcios, e acaba encontrando ursos de armadura, bruxas, aeróstatas, exploradores, e crianças que serão usadas em experimentos maléficos se Lyra não fizer alguma coisa para ajudá-las.

O livro é o mais infantil e mais gostoso de ler dos três. Ele lhe apresenta o mundo de Lyra, a própria Lyra, criança, moleca, se divertindo com seus amigos e Pantalaimon, seu dimon. A adaptação para o cinema foi muito fiel, então se você gostou do filme vai gostar do livro.

Uma coisa que me deixou muito triste e preocupada, entretanto, é que o filme acaba antes do livro acabar. O livro tem mais alguns capítulos. Isso me tirou a esperança de ver as continuações no cinema, pelo menos da forma como os livros estão.

O que mais gostei nesse livro foi da Lyra. A personagem é fabulosa e ter uma menina como heroína da história faz meu lado feminista dar gritinhos de excitação. E dos dimons, é claro. Foi aqui que eu descobri que dimons, uma parte do seu subconsciente em forma de animal, existe. E depois me falaram que era de verdade.

A Faca Sutil

Will Parry é um garoto de doze anos comum que vive com sua mãe (que sofre de problemas mentais) em Winchester. Quando (acidentalmente) mata um homem, ele decide fugir para Oxford e procurar o paradeiro do pai. Desolado e sem ter para onde ir, ele segue os passos de uma gata e acaba encontrando uma “janela” no ar que dá para outro mundo. Lá ele conhece Lyra, e logo eles descobrem haver uma estranha ligação entre si, de modo que Will só poderá encontrar seu pai com a ajuda de Lyra. Então eles se juntam e começam a procurar por pistas do paradeiro do pai de Will, enquanto resolvem, ao mesmo tempo, a incógnita deixada pelo primeiro livro: O que é o Pó?

Foi difícil começar a ler A Faca Sutil. Primeiro porque Will já é tímido até ser quase antipático por si só, e isso piora muito em contraste com Lyra, toda alegre e carismática. Segundo porque ele é menino. E eu não queria que a narrativa colocasse um herói homem no lugar de Lyra.

Mas depois que eles se encontram, o que prende a atenção é o mistério que vai se revelando. De repente, uma história que se passava num tipo de idade média de Oxford está tratando com múltiplos mundos, incluindo nosso mundo moderno (como que eu não notei que o livro era moderno aqui?).

E então eles começam a falar desse tal pó, e ninguém sabe direito o que é, e por isso uma física experimental aparece. Gente, fantástico.

Por ser o livro do meio – e por ser mais fino – ele passa muito rápido. É ação o tempo inteiro. E no fim… até que eu gosto mais do Will. Mas a sensação que a Lyra ficou uma idiota depois que o homem apareceu é clara. Depois eu notei que era só uma sensação: Will e Lyra são pessoas muito diferentes que passaram por dificuldades diferentes e lidam com as coisas de formas diferentes. Hoje entendo os dois melhor.

Só explicando: A Faca Sutil é um instrumento usado para abrir janelas entre mundos distintos.

A Luneta Âmbar

Will está decidido a encontrar Lyra, que foi seqüestrada no final de The Subtle Knife. Contando com a ajuda de dois anjos, Will segue até as montanhas do Himalaia, onde resgata Lyra de seu cativeiro. Durante o resgate, porém, ele acaba quebrando a faca sutil, que posteriormente é concertada por Iorek. Logo depois, Lyra (motivada por um sonho que tivera enquanto fora mantida adormecida no cativeiro) e Will seguem até o último dos mundos, onde conseguem falar com Roger e descobrem o verdadeiro mundo dos mortos, sendo muito diferente daquele apresentado pela Bíblia.

Tudo é muito diferente do que é apresentado pela Bíblia. Na verdade, eu não vou nem falar nada porque vai perder a graça. Mas é um romance surpreendente.

E triste e emocionante. Nem lembro quando chorei tanto lendo um livro. Pode ser que eu esteja só sensível e carente e a história é tocante e fofa, mas chorei. Compulsivamente.

É um livro maior e às vezes dá uma preguiça para continuar, mas vale muito à pena quando chega no final. Muito. A mensagem que passa é… marcante.

E só então eu vi que os livros são de 1995, 1997 e 2000. Isso explica a temática tão moderna.

Philip Pullman entrou no meu hall de escritores favoritos. Ele conseguiu juntar ficção científica e literatura infanto-juvenil com fantasia em um romance indescritivelmente espetacular. Se um dia eu fizer uma história que alguém tenha tanto gosto de ler quanto eu tive gosto de ler As Fronteiras do Universo, vou ser mais do que realizada nessa vida!

Se você gosta desse tipo de histórias, não pense duas vezes: leia. É tocante e especial. Mais um que deveria ser leitura obrigatória no lugar dos enfadonhos mofados que temos hoje em dia.

Fontes:
Wikipedia
IMDB


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