Retrospectiva de aniversário

Retrospectiva de aniversário

É muito difícil saber se um ano foi bom ou ruim sem ter muito parâmetro para comparar este ano e os anteriores. Talvez todas as retrospectivas devessem ser assim: sem comparar com nada. Aí a gente teria uma ideia mais clara de como as coisas realmente são, não como a gente enxerga comparando com outra coisa.

O que dizer de 2015 né migos. Foi meu primeiro ano casada. Meu primeiro ano morando em Florianópolis. Meu primeiro ano sequer morando em outro estado. Teve muitas primeiras vezes. Eu queria estar fazendo esse post até com um humor melhorzinho, mas a verdade é que eu tô na bad e vou respeitar isso.

Aprendi a respeitar minhas bad. A esperar elas passarem ou a tomar atitudes para amenizá-la. Aprendi a programar com Backbone.js, aprendi a usar a casa de uma pessoa que nunca vi na minha vida. Aprendi a diferença entre Volta ao Morro Norte e Sul. Dei alguns passos para expressar meus descontentamentos.

Chorei pra cacete. Tive umas bad cabulosa. Quis morrer de novo. As coisas perdem o sentido muito fácil. Aumentei remédio. Fiz análise. Larguei análise. Fiz yoga. Larguei yoga. Voltei pro yoga. Fiz meditação. Fui na praia. Li umas coisa bacana. Conversei com gente legal.

Amadureci bastante.

Ri demais. Achei pessoas que me completam. Me senti sozinha as fuck. Me senti amada. Quis voltar pra casa, mas não para São Paulo. Chorei de alívio quando meus amigos vieram me visitar. Chorei de emoção quando me ouviram e me aconselharam. Morri de rir com o mais bobo dos vídeos da internet.

Tive pesadelo. Tive sonho bom. Sonhei pra cacete. Neste momento, estes sonhos parecem todos ilusões, bobagens. Mas é que tô na bad.

Estudei. Aprendi. Comi bem e engordei. Quis ter filho. Não quis mais. Não quis de jeito nenhum. Não soube o que pesar sobre isso. Quis de novo. Tem de esperar as contas melhorarem.

As contas foram péssimas o ano todo. Como uma pessoa pode ficar 12 meses no vermelho, meu deus. Ai quando eu achei que fosse melhorar, piorou de novo.

27 anos foram um meio-termo esquisitíssimo. Velha demais pra ser adolescente, mas adoro adolescentear, com all-star, saia e rockinho de boas. Nova demais para ser adulta e tudo assusta, tudo é maduro demais pra mim.

Termino o ano do mesmo jeito que terminava ano passado: sem saber o que vai ser ano que vem. E pior: sem meus móveis, meus eletros, minha casa, minha família. Tudo ficou em SP. E bora começar de novo e de novo.

2 comments

  1. Ai Martinha, ler seu blog é tão delicioso, sabe porque? Porque é você escrevendo a sua vida.Amo o jeito como vc se expressa e diz coisas tão transparentes sobre e e neste post em especila me identifiquei..pq durante o ano todo eu fiquei mal, eu fiquei bem, eu quis ter filho e depois não quis mais pq minhas contas tb não fecham e pq não tive mais coragem de botar um filho no mundo, me arrastei até o trabalho e me arrasto, fiquei mal de novo, de novo, de novo…Não larguei a terapia mas passou perto e aprendi a meditar…E termino o ano desesperada e sem saber o que vai ser do próximo…Um beijo e obrigada por ser tão vc em seus posts.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *