Retrospectiva 2014 – Livros

Retrospectiva 2014 – Livros

Acho que esse foi o ano que mais li na vida e é tudo culpa do Kindle. E mesmo assim poderia ter lido mais.

Foram mais de 40 livros,  7 coleções (e meia), 184 estrelas, 3 abandonos. Nada mal.

Auxiliada pelo meu Skoob, segue uma brevíssima resenha de cada um, dizendo minhas impressões deles. Espero que sirva para você bater o olho e descobrir alguma de suas próximas leituras 🙂 Eu gosto de ficção científica e futuro distópico, então desculpa se ficar redundante 😛

Quando eu digo “background” me refiro ao universo que a história foi criada e ao contexto do momento.

todos-os-livros

Abandonei

(não está na foto acima)

Para ler romances como um especialista (Thomas C. Foster) – na verdade ensina mais como escrever do que como ler. Ajudou muito e tudo, mas lá pelo meio ficou super chato e morri de tédio. Quando vi que tava enrolando demais pra ler, larguei pra priorizar outras coisas mais legais.

O Pacto Cassandra (Robert Ludlum) – nem lembro porque larguei, acho que era chato demais apenas.

Páginas do Futuro (vários autores) – só marquei como “abandonado” porque não li todos os contos, mas meu amigo Pôlo fez uma resenha em vídeo dos que ele (e eu) gostamos mais.

Livros soltos

O chamado do Cuco (Robert Galbraith) – Um romance investigativo muito envolvente. Comecei a ler em 2013 então não sei se conta? Enfim, pelo menos uma história que a Rowling conseguiiiiu escreveeeer sem ser Harry Potter nem ser um tormento de leitura.

Lugar nenhum (Neil Gaiman) – Um dos poucos que faltava do Gaiman pra eu ler, mas todo ano aparece um-livr0-antigo-do-Gaiman-que-eu-nunca-li. A fantasia mistura o real e imaginário como só Gaiman sabe fazer. É envolvente, divertido e rendeu uma ótima leitura.

Perdão, Leonard Peackock (Matthew Quick) – Esse perturbado do Quick não consegue fazer um livro com personagens normais. Depois de “O Lado bom da Vida” (não confundir com o filme que é raso e uma droga), ele agora traz um garoto retratando o dia do seu próprio aniversário e tentativa de suicídio. Leitura pesada, mas muito bem escrito. Quick vai desenrolando a história aos poucos, sempre em primeira pessoa, então você na verdade não quer saber o que vai acontecer, mas descobrir o que aconteceu pra chegar naquele ponto. Gosto muito dessa narrativa dele.

Carpinteiros, Levantem Bem Alto a Cumeeira & Seymour, Uma Apresentação (J. D. Salinger) – Foi o livro mais difícil de ler do ano. É uma linguagem diferente e muito interessante. Acho que por ser clássico tem essa diferença de jeitos de falar. É bacana, mas me gerou uma ressaca literária longa, acho que devido ao esforço (fico com vergonha de admitir isso porque apesar de ler muito, é tudo “blockbuster” rs)

Amadora (Ana Ferreira) – Um livro de s0ft porn, bem ruinzinho, que precisei ler pra sair da ressaca literária.

Palavra por palavra (Anne Lamott) – Livro que ensina a escrever com a história da escritora. Muito gostoso de ler, dá dicas ótimas.  Me inspirou a fazer várias crônicas aqui pro blog.

Hipersonia Crônica (Aline Valek) – Conto de ficção científica, universo alternativo, essas coisas. Bacana.

Alta fidelidade (Nick Hornby) – Odiei o livro, mas tenho de admitir que é muito bem escrito. Apenas saiu da minha zona de conforto. O personagem é um babaca, mas faz sentido na história ele ser um idiota, então fazer o quê? Mas li com raiva. Queria bater nele o tempo todo. Muita gente disse “A trilha do filme é ótima!” mas adivinha só: livro. não tem. trilha. sonora.

Colin Cosmo e os Supernaturalistas (Eoin Colfer) – Tinha lido esse livro faz tempo e reli agora. Envelheceu muito bem. Conta a história de um menino em um orfanato do futuro que consegue fugir de sua rotina de cobaia de laboratório e encontra um grupo de caçadores de coisas fantasmagóricas. Muito bacana, uma história bem legal.

Dádiva de Sangue (Sandro Moura) – Um conto medieval muito bacana.

Deixe a neve cair (John Green, Maureen Johnson e Lauren Myracle) – Só o último conto é meia-boca. Nos dois primeiros eu chorei. É bem adolescente, mas muito fofo. Ninguém morre de câncer.

Quarto (Emma Donoghue) – Mais um livro de um escritor perturbado, conta a história de um menino filho de uma vítima de sequestro quando completa cinco anos. Ele nunca viu nada fora do quarto e acreditava que as coisas da TV eram de mentira. Então a mãe bola um plano para conseguir sair do cativeiro. Muito pesado, porque é contado em primeira pessoa com a visão da criança. Mas muito bem escrito.

Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo (Benjamin Alire Sáenz) – Livro fofíssimo que conta a história de dois amigos que não têm muito em comum, mas acabam crescendo e se conhecendo juntos. Adorei.

Coleções

Acho bobagem falar de cada livro de uma trilogia, já que a maioria delas é uma história dividia. Mas aqui vão entrar também coleções de livros, que fogem desse padrão.

 As Peças Infernais (Cassanda Clare) [Anjo Mecânico, Príncipe Mecânico, Princesa Mecânica] – Quando me recomendaram essa trilogia me disseram “É adolescente, mas fazia tempo que um livro não me fazia sentir tanto”. De fato, Clare sabe fazer você ficar empolgado com o amor como se ainda tivesse quinze anos (se você tem quinze anos, largue tudo e vá ler essa trilogia agora). Além disso é um universo steampunk muito bacana e bastante feminista, então adorei.

The Hunger Games (Suzanne Collins) [Jogos Vorazes, Em Chamas, A Esperança] – A trilogia Jogos Vorazes ganhou o Troféu Marta Preuss de literatura 2014. Foram de longe minha favorita. As personagens, a história, o background, é tudo perfeito. E a adaptação para o cinema tem ficado muito boa: os filmes e livros se completam. Se você não leu ainda, leia. Sério.

Feios (Scott Westerfeld) [Feios, Perfeitos, Especiais, Extras] – Quando acabou Jogos Vorazes senti falta de outra trilogia assim. Já estava olhando a Feios fazia um tempo mas estava com medo de ser uma bosta. Não é uma bosta. O background é bom, a história é boa, é bem diferente de Jogos Vorazes apesar que podia coexistir, como se o mundo de Feios fosse a Capitol. Mas a personagem principal sempre precisa de um homem. O cara que ela tá afim é melhor, o amigo é melhor, todo homem é melhor e mais esperto que ela e ela entra em várias roubadas por ir atrás de homem. Isso me deixou meio meh. O quarto livro é uma história solta no mesmo universo, que traz uma temática importantíssima (como nossos minutos de fama poderiam influenciar uma sociedade), mas o irmão da protagonista é mais esperto que ela etc. É por isso que não queremos homens no clubinho feminista. Não basta botar uma mulher como personagem principal se ela vai ficar sempre em segundo lugar.

Divergent (Veronica Roth) [Divergente, Convergente, Insurgente] – Não vi esse filme, mas por favor parem de falar que isso é cópia de Jogos Vorazes porque meu Deus não tem nada a ver. Se vocês tivessem lido até o final saberiam disso. Muita gente fica brava com a personagem principal chamando ela de fraca no segundo livro, mas eu me identifiquei muito e me sentiria da mesma forma no lugar dela. É bem realista, tem um background muito bom porém mais potencial que resultado. Acho que falta um pouco do sentimento das Peças Infernais. É uma história bem contada, mas muito… mecânica, não sei.

Artemis Fowl (Eoin Colfer) [O menino prodígio do crime, Uma aventura no ártico, O código eterno, A vingança de Opala, A colônia perdida, O paradoxo do tempo, O complexo de Atlântida, O último guardião] – Bem, sem dúvida a coleção que me fez chegar a essa quantidade espantosa de livros lidos e o pior é que foi uma droga. Li os primeiros quando criança e saiu o último esses tempos, então fui reler e envelheceu muito mal na minha opinião. Mal escrito, falho, repetitivo. Apesar de ser uma coleção com histórias independentes, todas tem a mesma temática, os mesmos personagens, o mesmo inimigo. O pior é que teria muito potencial. O background é de criaturas élficas e míticas equipados com super tecnologia, e uma criança-prodígio como anti-herói. Não tinha como dar errado, mas acabou ficando forçado e cansativo. Acho que ainda serve para pessoas abaixo dos treze anos.

A Seleção (Kiera Cass) [A Seleção, A Elite, A Escolha] – Eu estava com muito medo de ser uma trilogia muito machista, mas como também era de futuro distópico dei uma chance e não me arrependi. A personagem principal é forte e crítica, quase uma Liz de Orgulho e Preconceito, porém cheia de defeitos e inseguranças. Uma pena Cass não ter dado mais foco no background, que parecia ter muito potencial. Como a história passa dentro do castelo, você não tem nenhuma ideia de como é o mundo lá fora. Pode ser que essa seja a ideia, se sentir como os ocupantes do castelo, mas ficamos com vontade de saber mais. Ainda assim, uma boa trilogia.

Fronteiras do Universo (Philip Pullman) [A bússola de ouro, A faca sutil, A luneta âmbar] – Já que reli uma coleção que não gostei, resolvi reler minha trilogia favorita da vida. Quando me perguntam meu livro favorito nunca exito em responder Fronteiras do Universo. É uma história espetacular, que começa em um mundo e passa por outros vários. Lyra é forte, teimosa e muito ingênua. Não gosto como ela fica depois que Will aparece, mas eles acabam encontrando equilíbrio e respeito. A história ainda desconstrói Deus, ciência e religião. É lindo. Envelheceu muito bem.

Odisseia Espacial (Arthur C. Clarke) [2001, 2010, 2061, 3001] – Da mesma forma que Fronteiras do Universo é minha trilogia favorita, 2001 é meu filme favorito. Arthur C. Clarke e Stanley Kubrik produziram o livro e o filme ao mesmo tempo, então uma coisa completa a outra. Eu tinha lido 2001 em inglês ano passado, mas reli esse ano para fechar a coleção de histórias independentes com o mesmo background. E que background! É sabido que Clarke conseguiu imaginar diversas coisas sobre o futuro e fez muita pesquisa para seus livros. Infelizmente não consegui terminar tudo esse ano, estou no 2061. Mas quem gosta de sci-fi não pode deixar de ler essa coleção. É espetacular. Muito profunda, cheia de detalhes e com bastante suspense.

Meta de leitura 2015

Não tem meta de leitura pra 2015. Espero ler muito e mais do que li esse ano. Tem algumas coisas na minha lista de “vou ler” e ganhei dois livros nesse final de ano. Além disso, preciso ler A Fundação de Asimov, porque quem gosta de sci-fi também não pode ficar sem isso.

Não leio tudo isso por obrigação ou para bater metas; mas quando um livro é bom, devoro. Deixo de almoçar, deixo de dormir, aproveito nas viagens de ônibus, acabo em três dias. Se a média fosse 5 dias por livro, teria lido muito mais esse ano. Mas claro que tem horas que cansa, que não tô afim. Normal.

Ainda mais ano que vem que vai ter tanta novidade. Vamos ver como vai ser. 🙂

Você gostou de algum da lista? O que pretende ler ano que vem? E o que mais gostou de ler em 2014?

One comment

  1. Eu o-d-i-e-i Perdão, Leonard Peacock. Achei a leitura muito travada por conta das milhões notas de rodapé gigantezzzzzzzzzzzzzzzz.

    Vou fazer uma lista de livros pra vc me transferir pelo kindle, pra eu poder passar esse ano sem-comprar-livros numa boa 😀

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *