O que foi que você fez?!

O que foi que você fez?!

Tá faltando um pouco de blogagem de raiz nesse blog. Como vocês notaram (?), diminuí muito o ritmo. Primeiro escrevi três posts/semana, depois nem isso. Acontece. O Diário de Bordo não é nenhuma obrigação na minha vida (e ninguém me cobrou), então faço quando tenho vontade. Nada aconteceu.

Digo, algo aconteceu, sim.

Voltei a postar com frequência uns meses atrás porque às vezes me bate um desespero que eu preciso me COMUNICAR. Eu preciso falar o que eu penso, botar pra fora. A melhor forma que eu faço isso é escrevendo, e me dá um alívio imenso. Eu precisei do blog nos últimos meses como parte de um processo terapeutico, e me foi muito válido. Mas era um processo, e agora estou em outro ponto.

Algumas coisas no trabalho conseguem suprir essa minha necessidade de comunicação. Eu tive novas atribuições que me fizeram muito feliz e completa, e acabaram me acalmando nesse sentido. Comunicar não é nem só escrito, nem só falado; é toda uma mistura de voz, gestos e palavras, coisa que pode ser conseguida por muitos meios.

Então eu tenho várias coisas para contar, lugares para mostrar, opiniões para dar, mas não tive paciência para redigir tudo ainda. Ando bem cansada, esgotada mesmo. Mas de um jeito bom.

Ainda como parte desse “processo terapeutico” (cada vez eu dou um nome diferente pra isso tudo porque nem eu sei resumir em poucas palavras), fui me conhecendo e resolvendo pendências antigas. Tá sendo muito legal. Me expandindo, mesmo. E agora tenho menos medo.

Foi por isso que eu resolvi fazer um sidecut.

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Quando você tem um defeito, seu primeiro ímpeto é esconder aquilo de todo mundo o melhor possível. Shorts na praia. Calça sempre. Nunca aparecer de chinelo. Uma amiga da minha mãe tinha manchas nos braços então ela sempre usava camiseta de manga comprida, sem se importar com o calor. Quando seu defeito é no seu rosto, esconder não é opção. Você acostuma.

Entrando em contato com as pessoas certas, você começa a aprender que aquilo não é um defeito, mas uma característica e não tem mesmo porque esconder. Eu tenho aprendido que tenho diversas características muito diferentes das outras pessoas. Que eu não me encaixo em padrões. E, quando me apropriei disso, me empoderei e me assumi, isso foi de uma maldição para algo maravilhoso.

Porque a liberdade de ser quem você é justifica um monte de comportamentos que as outras pessoas acham estranho – mas é estranho só para quem segue algum padrão. Eu não sigo nenhum. Se antes eu tinha vergonha de ouvir pagode, hoje é hit no meu spotify. Se antes eu tinha vergonha de dizer que gosto de horóscopo, hoje assumo. E fui me assumindo, assim, aos poucos, uma coisa de cada vez. Desde minha orientação sexual até meu cabelo.

Eu sou toda esquisita. Literalmente dos pés à cabeça.

Raspando o lado da mancha eu me assumo pra mim e pro mundo. Eu me sinto forte e corajosa. Eu não tenho mais medo nem vergonha de quem eu sou. E eu não sou melhor que ninguém, mas também não sou pior, doente ou errada. Sou diferente. Sou única. E tô me curtindo muito.

É cedo para retrospectiva 2015. Mas tá sendo um momento bem legal. Bem legal mesmo. 🙂

4 comments

  1. Marta, que bom ler que você está bem!

    Você foi mais rápida que eu e raspou o cabelo antes, hehehehe.
    Recomendo raspar o cabelo para todo mundo no verão. Sério, uma das melhores sensações.

    Um beijo, de sua admiradora (não fico falando, mas fico torcendo, de longe)

  2. Eu fico alguns dias sem aparecer por aqui e quando venho vejo uma mulher poderosa, se assumindo e ainda fez um sidecut?Ah! Arrasou Martinha…Por se empoderar e se libertar e se assumir e se mostrar…parabéns!

    Bjs.

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