O fatídico batismo de café na mesa da firma

O fatídico batismo de café na mesa da firma

Existem algumas coisas que se repetem em todas as empresas que você trabalha. Se você mudar de empresa uma ou vinte e cinco vezes na sua vida profissional, algumas coisas vão sempre te acompanhar, como o frio na barriga que mesmo os atores mais experientes sentem na estreia. Você nunca sabe se vão te chamar para o almoço no primeiro dia, quando você ainda não conhece os restaurantes. Você nunca sabe quais as melhores horas para usar os banheiros – ou qual o melhor banheiro. Você invariavelmente vai chamar alguém pelo nome errado.

Mas nenhum batismo da empresa nova está completo sem o fatídico dia que você derruba café pela mesa inteira.

Água é tranquilo, sabe. Água é transparente, sem cheiro, sem açúcar. Água seca rápido. Água não mancha. Não tem graça. Meia dúzia de papéis e pronto, tá tudo seco, ninguém viu. Café, não.

Primeiramente você está disperdiçando café. A culpa já começa aí. Se você foi pegar café, alguém fez esse café, ou você pagou por esse café, e você precisa dessa cafeína agindo no seu cérebro senão você pode cometer alguma desgraça, tipo derrubar o café. É um paradoxo: você precisa do café para não derrubar o café, mas derruba e fica sem o café, gerando um looping de desgraça.

Geralmente o jeito da xícara virar vai ser o mais idiota o possível. Bater a mão quando vai pegar o mouse. Enroscar o fone de ouvido. Deixar a xícara em cima de uma superfície bamba.

Quanto mais novo você for na empresa, mais catastrófica vai ser a queda. A escala, do mais leve ao pior dos casos, é mais ou menos assim:

  • derramou um pouco na mesa, mas nem chegou a pingar no chão
  • derramou na mesa e escorreu pro chão
  • derramou na mesa, no chão, nas suas roupas
  • derramou na mesa, no chão, nas suas roupas e hoje tem reunião com o cliente
  • derramou na mesa e no teclado, e agora cada tecla gruda no seu dedo
  • derramou na mesa e ela estava cheia de papéis
  • um deles era um relatório importante
  • que precisava entregar hoje
  • mas seu teclado não funciona mais.

Não basta a perda física: a própria humilhação por ser desastrado, o choque dos colegas todos empurrando suas cadeiras para trás e os mais solícitos, correndo para buscar papel ou um pano, como se fosse seu próprio sangue precisando ser estancado. Ou pior: apenas afastarem as cadeiras, balançarem a cabeça em negação e voltarem aos seus trabalhos, ignorando seu desespero.

Boa sorte limpando essa bagunça. E grudando seus braços no açúcar pelos próximos dois meses.

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