My Mad, Fat Diary

My Mad, Fat Diary

Faz cinco anos que eu tomo remédios para depressão e ansiedade. Mas já faz mais de dez anos que sei que tem algo errado. Eu sempre digo que se tivesse feito terapia antes, talvez não teria chegado ao extremo. E se eu tivesse visto My Mad, Fat Diary talvez tivesse feito terapia antes.

A série conta a história de Rae Earl, uma adolescente de 16 anos que está saindo do hospital psiquiátrico depois de ter se cortado. Quando ela sai do hospital precisa enfrentar o mundo lá fora, com amigos e escola, e confrontar suas inseguranças.

A série podia chamar TRIGGERS porque meu deus do céu quanto gatilho. Era praticamente ver um filme meu aos 17 anos, sofrendo para ser aceita, sofrendo por amor, sofrendo, sofrendo. Claro que eu e Rae somos diferentes em muitas coisas, mas na falta de auto-aceitação, que é o foco da série, somos irmãs.

Me sinto péssima depois de assistir esse seriado. Me sinto feia, fora do eixo, me sinto um peixe fora d’água, igualzinho a Rae. Mas tudo fica bem no final. E um dos responsáveis por isso é o Kester, o terapeuta da Rae. E todos esses gatilhos me mostraram que eu ainda tenho muita coisa para resolver na terapia e que eu posso ser muito melhor, muito mais forte e completa se alguém puder me ajudar.

A série também fala de amizade, tem um gay sofrendo para sair do armário, das inseguranças da popularidade e, claro, de uma menina gorda, sem nunca ser preconceituosa. Digo, mostrando que o preconceito existe e como ele faz mal para as vítimas.

É muito raro uma série tratar a depressão, ansiedade e transtornos dismórficos com tanta seriedade e conseguir retratar a terapia como grande ponto de mudança, como o porto seguro, a ferramenta que ajuda Rae a cuidar de si. Mostra sinceramente que não é a salvadora da pátria, mas vai melhorando com o tempo. Foca em como é uma sessão de terapia, e como dói, mas como vale a pena.

Nesse sentido, a série é muito boa para quem pensa que o que sente é “frescura”, pra quem se machuca, para quem não sabe se deveria fazer terapia ou não. Na verdade a série é muito boa em geral; eu que não consegui lidar com tanto gatilho.

E volto para terapia semana que vem.

ps. Um beijo pra Ana Spol, que me apresentou a série faz tempo, mas eu não tinha assistido ainda.

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