Macbuntu

Macbuntu

Eu estava cansada do meu notebook. Tenho esse computador há uns dois anos e nunca tinha formatado completamente. Já tinha particionado, voltado a ter uma partição só, instalado o Windows8 (e depois o 8.1) em cima do 7, mas já fazia tempo que eu queria dar aquela formatada. Não queria mais Windows, porque é pesado demais, e como todos sabem achar drivers para hackintosh não é a coisa mais legal do mundo. Ubuntu é uma boa opção, porque é user-friendly o suficiente, apesar alguns pontos negativos.

Um grande problema com Ubuntu é a falta do Photoshop e do Illustrator, tanto como designer quanto como front-ender. Quando eu vi que o Inkscape me deixava editar PDF, me bastou para perder o medo: basta o designer exportar um arquivo como .pdf em vez de .psd. Outra ferramenta que tenho usado muito para coisas simples é o pixlr.com/editor, um “Photoshop” online. Além disso, graças a mudança não estou pegando freelas. Ironicamente, esse ano estou bem afastada da vida de designer.

Outro grande problema do Ubuntu é a falta de jogos. Mas o notebook do Eduardo é mais potente que o meu (i5 x i7) então estamos jogando a maioria das coisas nele. E o Steam tem as coisas que eu mais jogo (FTL, rs) para Ubuntu.

Algumas pessoas têm problemas com banco, mas só uso o celular para essas transações. O plugin acabava com a RAM do Windows de qualquer forma.

Com isso, estava claro que o Ubuntu era a opção.

Instalação básica

Gosto porque instalar Ubuntu hoje em dia é facílimo. Basta fazer um pendrive de boot, reiniciar o computador, next, next, next e pronto.

Eu não quis particionar, mas se você quiser pode ter Ubuntu e Windows no mesmo computador. Na tela de instalação tem uma interface gráfica para gerenciar partições. Adoro o futuro (antigamente criar partição em terminal era certeza de ferrar a trilha zero e nunca mais bootar o pc de novo 😀 #traumas).

Não sei se tive sorte ou não, mas depois da instalação ele pegou sozinho todos os drivers. Pegou o trackpad, monitor, rede e até som, que antigamente era mais chatinho. Precisei testar alguns teclados até encontrar o meu, mas não precisei baixar nada. Não testei impressora ainda.

Os programas que mais uso também foram fáceis de instalar pela própria central de aplicativos dele. Chromium (no lugar do chrome, mas vem com firefox instalado), skype, filezilla, sublime text 3, VLC e Spotify (que precisou ser instalado “por fora” porque é uma versão de testes, mas funciona 100%) são alguns exemplos.

Para instalar todos esses apps e muito mais é só abrir a “Central de Aplicativos” no launcher (primeiro ícone da barra lateral). Selecione o app e aperte o botão de instalar, sem mistérios.

apps

Acontece que tenho usado MacOS no trabalho, então algumas coisas me fizeram falta. Não quis transformar totalmente meu Ubuntu em um MacOs, só trazer alguns recursos. Se você quiser aqui tem um tutorial completo, em inglês. O resultado parece muito bom.

Personalização para Mac

Primeiro perca esse medo bobo do terminal. Ele não morde. “~” significa o root, sua pasta principal, o que seria o C:/. 99% dos comandos é só copiar e colar. Caso alguma coisa dê erro de permissão, escreva “sudo” na frente, e depois do enter ele vai pedir sua senha do Ubuntu.

Primeira coisa para testar se você não tem mais medo é instalar o tweak tool, que vamos usar depois.

sudo apt-get install gnome-tweak-tool

(dica: cole com ctrl+shift+v)

terminal

Existem tutoriais completos de como transformar o Ubuntu o mais parecido possível em um Mac OS, mas quando comecei nem pensei nisso. Só pensei em coisas que estavam me fazendo falta e tinha no MacOs, que foram:

Hot Corners

Lembra que acabamos de instalar o tweak-unit-tool? Vamos usar agora. Mas ele tem uma interface mais fácil de usar. Nos programas (primeiro ícone da barra lateral ou Alt+Alt) procure “Ferramenta de ajuste do Unity”

ferr unity

Aí vá em “Gerenciador de Janelas > Atalho de cantos” e configure.

 

A interface é igualzinha a do MacOS e não precisa fazer nada demais. Basta selecionar o que você quer que aconteça.

Note que uma das opções já é exibir os programas abertos.

tudoaberto

Multi-desktop

Isso vem padrão no Ubuntu 🙂 Você habilita no painel de controle. Depois mexe de novo na ferramenta acima para usar em um dos cantos. O atalho para mudar de tela é igual do Mac: Ctrl + Alt + seta pro lado, pra cima, pra baixo, de acordo onde estiver o desktop.

mtos-desks

Spotlight

Para emular a lupa que tudo encontra no Mac, usei o Mutate. No terminal, digite

sudo add-apt-repository ppa:mutate/ppa
sudo apt-get update
sudo apt-get install mutate

É só isso. A lupa vai aparecer no canto superior e funciona igualzinho o spotlight: busca arquivos e programas, ainda faz contas, mostra palavras traduzidas e busca na internet, se você configurar.

mutate

(não consegui tirar print do meu Mutate então esse é do site deles.)

Printscreen do Mac

No Windows o único printscreen é da tela toda. No Mac você pode selecionar um pedaço da tela ou tirar da tela toda.

No Ubuntu isso também é padrão! As teclas de atalho são:

  • Printscreen para tela toda.
  • Alt+Printscreen para a janela atual
  • Shift+Prinscreen para selecionar um pedaço.

Nas três opções ele abre uma janela que permite que você salve o arquivo diretamente ou copiar para a área de transferência.

Eu tenho usado uma extensão do Chrome, Awesome Screenshot, para quando preciso cortar ou editar uns pedaços de imagens. Clicando nela e em “Upload file” você consegue editar qualquer imagem. É bom para cortar ou marcar.

Dock

Usei o Docky. Para instalar use:

sudo apt-get install docky

Depois você precisa abrir no gerenciador de arquivos (busque por Docky) só da primeira vez e, no painel de controle, ocultar a barra lateral.

dock

De qualquer forma quase não uso o Dock depois do Spotlight.

E já que fiz tudo isso…

Tema

Usei o Zukimac, foi o que achei mais bonito. Para instalar usamos o Tweak Tool. Eu não poderia explicar melhor que este tutorial.

Depois de algum tempo usando esse tema, cansei. Não gostei, o pacote de ícones estava incompleto, a usabilidade ficou comprometida. Usei a versão clara do tema do Ubuntu desde então e está muito melhor.

Resultado

Meu Ubuntu não é um MacOS. É Ubuntu. Mas ele é fluido, rápido, fácil de usar, ajuda minha produtividade, me dá vontade de trabalhar nele, não trava e é bonito. Além disso, foi 100% grátis: não estou infringindo nenhuma lei, e o sistema se mantém atualizado, estável e seguro.

Quando eu fecho a tampa do note e ele desliga, antes, demorava um tempão para religar. Agora é quase instantâneo, e ele recupera até se tinha um botão direito clicado, é meio absurdo comparado ao Windows.

Tô gostando bastante. Espero ter ajudado 🙂

3 comments

  1. Oi Martinha, eu uso o Linux Mint, que é baseado no Ubuntu, e tava com problema de acessar meu banco online (Caixa Econômica Federal). O Java que vem nele, Open JDK, funcionava, mas ficava tendo que dar confirmação o tempo todo e não gravava o computador, então tinha que fazer o cadastro de novo em cada acesso.

    Resolvi isso retirando esse Java e colocando o da Oracle, usando esse tutorial aqui do Viva o Linux:

    http://www.vivaolinux.com.br/dica/Java-8-Oracle-no-Ubuntu-e-Linux-Mint

    Claro que alguns dos comandos podem ser feitos via gerenciador de aplicativos, mas isso é suficiente pra quem gosta de usar o terminal.

    Eu tinha visitado o site da Oracle e não tinha algo bem explicado, nem pacotes otimizados pra Debian / Ubuntu, então usei esse tutorial e funcionou perfeitamente. Agora o site da Caixa funciona perfeitamente no Firefox, do mesmo jeito que funcionava quando eu usava o Windows. O Chrome, que eu saiba, não tem suporte a Java no Linux.

  2. Bacana seu tutorial.

    Mas só um detalhe: no Windows, da pra tirar print da janela atual também, com ALT+PRINTSCR

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