Esportes servem pra quê?

Esportes servem pra quê?

Quando você junta muitas pessoas de humanas, a treta é inevitável. Semana passada meu colega disse

“Eu sou contra o salário que jogadores de futebol recebem porque eles não geram nada de volta para a sociedade. Meu pai é marceneiro, e o dinheiro que ele recebe gera um bem para a sociedade; sou jornalista e meu salário também gera algo. Mas jogadores de futebol, não. Eles ganham e não geram nada.”

Com o que eu tive de discordar veementemente. Concordo que é dinheiro demais, mas isso é outra discussão.

Primeiro, é importante frisar que eu detesto esportes e acho isso de cuidar do corpo físico um saco, uma perda de tempo. Sou do time do “vamos todos morrer mesmo”, sou sedentária sim, vida segue. Inclusive eu também não gosto de futebol, não torço pra time nenhum e acho a copa do mundo um saco. Mas isso vocês já sabem.

Só que eu tenho feito uma série de posts sobre os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 para o trabalho então ando bem envolvida com esporte. Antes eu também achava que isso não gerava nada, mas hoje eu penso diferente.

Meu primeiro ímpeto foi dizer o quanto entretenimento é importante. Que os seres humanos precisam dessa pausa para pensar em nada e se divertir, senão a gente endoida, e que tem várias formas de se entreter – assistir esporte é uma delas.

Ainda, se o esporte não gera nada, a arte em si também não gera; mas ele discordou, dizendo que a arte gera, sim, alguma coisa. Mesmo que essa coisa não tenha utilidade prática.

Então entendi o que ele quis dizer. Um jogador de futebol realmente não contribui com nada tangível para a sociedade.

Isso não quer dizer que ele não contribui com nada.

Em um país racista como o nosso, o jogador é antes de tudo uma inspiração. A representatividade dos meninos negros e magros da periferia. A forma como eles se vêem fora daquele contexto e das posições que ocupam nas telenovelas. Podemos contar nos dedos a quantidade de super-heróis negros: eu só lembro do SuperShock. Quantos são os jogadores negros?

Nesse ímpeto, a criança cresce em volta ao esporte. Quem faz esporte aprende a conviver em grupo, a confiar nos colegas, a ter responsabilidade, a cuidar da alimentação (se possível), não fica na rua, gasta energia, se diverte, aumenta a auto-estima. Se você é uma criança da periferia, as chances de você marcar todos esses itens sem um esporte são bem baixas.

Esportistas não criam algo físico de volta para a sociedade, mas professores também não. Filósofos também não. Eles só formam… humanos. Humanos melhores, humanos mais responsáveis, humanos com esperança.

Aliás… O que é mais intangível e mais valioso que a esperança?

One comment

  1. Me parece inegável a importância do esporte para a sociedade como um todo, e principalmente nos pontos apontados por você.

    Justamente por isso, mal ou bem, jogadores de futebol, basquete, vôlei ou mesmo lutadores de MMA acabam sendo um exemplo para crianças, sobretudo as carentes. Daí a preocupação que muitos tem com aquilo que estes atletas fazem em suas vidas particulares (que acabam sendo públicas) porque a molecada se inspira neles mesmo e não tem jeito.

    É triste ver que muitas vezes, dentro do esporte em geral, é incentivado o contrário do que você disse; “Humanos melhores, humanos mais responsáveis, humanos com esperança”, gerando uma série de comportamentos e interações que lhes causam mal. Exemplo: Quando o “top do campinho” age de forma soberba (babaquinha mesmo) e isso é incentivado por aqueles que deveriam coibir esse tipo de atitude, e mostrar a ele que este não é um bom caminho.

    “O que é mais intangível e mais valioso que a esperança?”, e é assim que o Sandman escapa ileso do Inferno, com esperança.

    Parabéns pelo texto. 🙂

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