Chega de “normal”

Eu estava preocupada esses tempos porque em breve minha sogra vem me visitar mas a gente tem esse problema com o meu peso. Para minha sogra, na primeira foto eu estava magra demais, e hoje sou gorda demais. Digo, claro que engordei nesse intervalo de dez anos entre uma foto e outra, mas pra mim estou “normal” nas duas.

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Mas se eu tentasse emagrecer e fosse bem-sucedida, eu teria emagrecido rápido demais; e se não fosse, não teria “me esforçado” o bastante. Ela só quer que eu seja “normal”, mas eu não faço ideia do que isso significa; e acho que nem ela.

Com esse gancho, comecei a refletir sobre o “normal”. Estar dentro da norma, do padrão. Acho tão difícil falar de padrão se referindo a seres humanos… Digo, claro que temos semelhanças. Mas chamar alguém, por exemplo, sem um braço de “anormal” só porque fugiu da norma de ter dois braços é, no mínimo, cruel.

E se, só de ver uma pessoa com um membro a menos não justifica a grosseria, imagine com assuntos menos óbvios: peso, cor de pele, outras características físicas.

É mais fácil para algumas pessoas do que para outras dizer que não existe o normal. Quem está dentro da norma (brancos, cisgêneros, homens, magros, sem deficiência física, etc) não faz ideia de como é não estar. Dos olhares, do peso, de ser impedido de fazer coisas simples só por ser quem é.

Isso não quer dizer que é errado ter essas características; mas essas pessoas precisam se esforçar mais para ter empatia para quem não é assim.

Não é “só deixa pra lá” ou “não liga e seja quem você é” porque no segundo seguinte vem o “nossa mas fulana precisa se cuidar né, olha isso, [insira aqui um julgamento qualquer]”. Todos nós somos preconceituosos em algum nível, e precisamos nos esforçar todos os dias para desconstruir nossas normas.

É uma questão delicada, mas acho que o caminho é a gente bater o pé que isso de normal não existe, não faz bem e nunca vamos alcançar. Desconstruir isso na gente e sugerir a desconstrução para os outros. E lutar para que os direitos negados a pessoas fora do “normal” sejam respeitados. Um longo caminho, mas parece o justo, para mim.

2 comments

  1. Pena que as pessoas sao assim, infelizmente muitas agem no automático, mas la no fundo, nao pensam desse jeito… apenas imitam os outros do rebanho.

    • É trabalho de formiguinha ir se desconstruindo todos os dias… Acho que é o que faz a gente estar vivo né? Ser hoje um pouquinho melhor que ontem.

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