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Como eles e nós lidamos com nossos defeitos

Então que fui na casa dos meus pais na páscoa e aproveitei para rever uns velhos vídeos de família que a gente tem da época que filmadora era uma coisa tão cara que a gente pegava emprestado da amiga da minha mãe. Era um bagulho enorme, de apoiar no ombro, e gravava naquelas fitas grandes de vídeo-cassete. Nosso respeito pela fita só não era maior do que pelos filmes fotográficos porque pelo menos na fita você podia regravar, mas registrar imagens se mexendo era tão importante quanto registrar imagens estáticas.

Então, não sei porque cargas d’água, minha mãe resolveu fazer um registro do meu tratamento para remoção da mancha de vinho do porto. Acho que ela pensou que o tratamento seria um sucesso e que hoje eu não teria mais mancha, então o registro serviria para me lembrar do que eu passei para valorizar o resultado.

Eu era uma gracinha desde mini-marta, e todos meus amigos podem confirmar que eu ainda falo como uma criança de nove anos. Ano que vem esse vídeo faz 20 anos e quase nada mudou. Eu engordei, a mancha está aqui (não fiz o tratamento até o fim) e o tratamento segue semelhante: queimadura que dura uma semana etc e tal.

timelineAnyways, como sempre acontece quando falo disso, acabei conhecendo mais pessoas com a mancha de vinho do porto. O Rafa é administrador da página sobre hemangioma do Facebook e veio bater papo comigo. Eu adoro quando isso acontece.

Ele me perguntou porque eu não participo mais de fóruns (o primeiro grupo sobre hemangioma no orkut fui eu que criei) e expliquei que é cansativo falar disso o tempo todo. Veja, a mancha é uma característica minha como meu cabelo loiro, meu riso fácil e minhas pernas diferentes. Nesses grupos de discussão, como a mancha é o foco da conversa, a gente fala muito disso o tempo todo e me sinto resumida a UMA das minhas características. Além disso, sou bem sintonizada com o movimento feminista e muitas vezes o que mulheres passam me deixa muito triste.

O Rafa e um outro rapaz que comentou aqui no blog têm uma relação bem saudável com a mancha. Eu chamo de saudável o famoso “tenho, grandes coisa, vida segue”. Note que não estou culpando quem ainda não se sente assim sobre isso ou qualquer outra característica fisica sua. Porque a cobrança é bem grande.

Os meninos podem falar, pois tenho certeza que já tiveram suas inseguranças. O que eu posso falar é sobre as inseguranças das meninas. Eu notei que eu tinha um medo tão grande de não arranjar namorado que minhas primeiras paixonites foram 100% inventadas. Eu precisava provar que eu ia conseguir namorar.

Eu tive muito medo que ninguém fosse me dar um emprego. Inclusive, uma moça veio falar comigo uma vez porque ela estava fazendo o tratamento e, já que estava bem queimado, ELA NÃO CONSEGUIA TRABALHAR. Todos os dias essa mulher se maqueava até esconder seu sinal de nascença porque ela é recepcionista e não pode se dar ao luxo de ter uma característica que saia do padrão. Agora olha esse moço aí na imagem ao lado, do tratamento. A galera da firma no máximo ia zoar ele um pouco e a vida ia seguir. Nada de desemprego para este rapaz.

Mães conversam desesperadas comigo sobre o desenvolvimento socio-comportamental de seus filhos e eu passo o que funcionou pra mim sem qualquer adaptação de contexto. Quem é pobre, como lida com isso? Porque se 20 anos atrás o tratamento era dois mil reais por mês (graças à anestesia geral), imagina hoje? E não só isso. Se eu fizesse o tratamento de novo, tenho certeza que seria tratada bem diferente dos meus colegas homens. E olha que passei os últimos dez anos tentando ser como um.

Enfim, só para refletir que a forma como a gente lida com as nossas coisas (ou não) é tão diferente das outras pessoas. E que a cobrança estética da mulher é tão, tão maior que a do homem. Não estou dizendo que os meninos não sofram nada. Mas eu conheci um rapaz que era desses guias de museu com uma mancha no rosto uma vez. Acho que ninguém ameaçou o emprego dele.

Se eu fosse um menino… eu teria me “apaixonado” aos dez anos, como aconteceu, ou só aos 14, quando realmente gostei de alguém? Eu teria chorado tardes e tardes porque uma médica me disse “já que o problema é estético, não mexe”, mesmo que hoje eu concorde com ela? E o tanto que eu chorei quando disseram que a Síndrome de Kipple Trenaunay poderia me dar trombose ao engravidar, e que se eu quisesse ter filhos eu teria de adotar? Quantos homens gastariam lágrimas por não poder ter um filho biológicos, versus quantas gurias?

No fim, até meu rosto é uma expressão de luta pelo direito à dignidade, à igualdade. Mesmo sendo a coisa mais comum do mundo pra mim, para muita gente não é. E a forma que “a sociedade” lida com isso diz muito sobre quem ela é. Ela é machista. O que podemos fazer para que ela vá sendo menos e menos machista, até deixar de ser?

Retrospectiva de aniversário

É muito difícil saber se um ano foi bom ou ruim sem ter muito parâmetro para comparar este ano e os anteriores. Talvez todas as retrospectivas devessem ser assim: sem comparar com nada. Aí a gente teria uma ideia mais clara de como as coisas realmente são, não como a gente enxerga comparando com outra coisa.

O que dizer de 2015 né migos. Foi meu primeiro ano casada. Meu primeiro ano morando em Florianópolis. Meu primeiro ano sequer morando em outro estado. Teve muitas primeiras vezes. Eu queria estar fazendo esse post até com um humor melhorzinho, mas a verdade é que eu tô na bad e vou respeitar isso.

Aprendi a respeitar minhas bad. A esperar elas passarem ou a tomar atitudes para amenizá-la. Aprendi a programar com Backbone.js, aprendi a usar a casa de uma pessoa que nunca vi na minha vida. Aprendi a diferença entre Volta ao Morro Norte e Sul. Dei alguns passos para expressar meus descontentamentos.

Chorei pra cacete. Tive umas bad cabulosa. Quis morrer de novo. As coisas perdem o sentido muito fácil. Aumentei remédio. Fiz análise. Larguei análise. Fiz yoga. Larguei yoga. Voltei pro yoga. Fiz meditação. Fui na praia. Li umas coisa bacana. Conversei com gente legal.

Amadureci bastante.

Ri demais. Achei pessoas que me completam. Me senti sozinha as fuck. Me senti amada. Quis voltar pra casa, mas não para São Paulo. Chorei de alívio quando meus amigos vieram me visitar. Chorei de emoção quando me ouviram e me aconselharam. Morri de rir com o mais bobo dos vídeos da internet.

Tive pesadelo. Tive sonho bom. Sonhei pra cacete. Neste momento, estes sonhos parecem todos ilusões, bobagens. Mas é que tô na bad.

Estudei. Aprendi. Comi bem e engordei. Quis ter filho. Não quis mais. Não quis de jeito nenhum. Não soube o que pesar sobre isso. Quis de novo. Tem de esperar as contas melhorarem.

As contas foram péssimas o ano todo. Como uma pessoa pode ficar 12 meses no vermelho, meu deus. Ai quando eu achei que fosse melhorar, piorou de novo.

27 anos foram um meio-termo esquisitíssimo. Velha demais pra ser adolescente, mas adoro adolescentear, com all-star, saia e rockinho de boas. Nova demais para ser adulta e tudo assusta, tudo é maduro demais pra mim.

Termino o ano do mesmo jeito que terminava ano passado: sem saber o que vai ser ano que vem. E pior: sem meus móveis, meus eletros, minha casa, minha família. Tudo ficou em SP. E bora começar de novo e de novo.

Muito chato quando isso acontece

A gente vive querendo representatividade. Seja como mulher, como negra, como gorda, como pessoa com deficiência, a gente sente falta de se ver na mídia, de ter uma referência, de saber que temos características e não defeitos. Muito chato quando a representatividade vem toda cagada e faz o oposto: nos expõe como peças de laboratório, como se fôssemos ETs raros e como coitados. Como se nunca fôssemos conseguir nada na vida e como se nossa condição fosse gravíssima – mas pior que morrer “é o preconceito”.

Foi assim que me senti assistindo essa matéria da TV Record sobre hemangioma, essa mancha que eu tenho no rosto. De antemão, peço perdão ao amigo Valério, que participou e divulgou a matéria. Não quero lhe ofender e suas falas foram perfeitas. Mas o tom que a Record deu à reportagem foi de pena, de sensacionalismo e coitadismo, que me encheu de raiva e nojo.

Então eis o vídeo e eis tudo que achei prejudicial nele, sem a parte da emoção que me fez gritar desesperada em pleno expediente e que ainda me faz tremer de raiva.

  • 0:32 – no começo do vídeo os bebês mostrados têm um pontinho de hemangioma. nada grave. poderia parecer sei lá, uma verruginha. mas fazem o maior drama como se fosse acabar com a vida da criança.
  • 0:40 – bebês não lidam com o preconceito. mães lidam com o preconceito.
  • 1:16 – a mãe passou um batom no rosto. pra que a “bebe” não sofresse preconceito (no caso, a mãe, né.). acho extremamente humilhante uma pessoa passar batom no rosto e dizer que tem o mesmo que eu, que sofre agora a mesma opressão que sempre sofri. é o mesmo que uma mãe andante usar uma cadeira de rodas porque a filha usa: não faz o menor sentido. trata a mancha como algo feio, ruim, e não como uma característica natural que deve ser aceita. essa mãe passa um papel no rosto e a mancha dela sai. eu fiz dois anos de queimaduras de laser no meu rosto e minha mancha não saiu. é de um desrespeito sem limites.
  • 1:29 – “uma doença pouco conhecida até mesmo entre os médicos” guarde isso
  • 1:44  – o mais difícil foi chegar no diagnóstico: demorou 11 dias e foi a segunda opção do médico. parece bem difícil.
  • 2:11 – 5 em cada 100 crianças. 5% das crianças. isso que eles chamam de “doença pouco conhecida”. por exemplo digamos que hoje nasceram umas 300 mil crianças. quinze mil delas terão hemangiomas. é gente pra cacete.
  • até aqui ninguém explicou que existem hemangiomas planos (como o meu) e cavernosos (tumores que geralmente precisam de cirurgia). hemangiomas planos não são removidos com cirurgia, apenas com laser.
  • 2:58 – sim, alguns hemangiomas são tumores que prejudicam a audição, visão ou até mesmo órgãos internos. o amigo Valério fez laser no rosto também por este motivo.
  • 3:04 – riscos que a filha corria = não abrir um olho por inchaço. tirou o tumor, acabou o risco.
  • o preconceito tem tratamento sim. é a informação e não deve ser o sensacionalismo não.
  • 3:10 – “eu cheguei a ter um começo de depressão, eu não saía com ela”. a mãe que sofreu o preconceito, não a criança. a mãe que se sente mal de ter uma filha “defeituosa”.
  • 3:33 – este médico disse que a mancha some até os 5 anos, alguns dos meus disseram até 7 anos, mas algumas manchas não somem. tudo bem, vida segue.
  • 4:21 – eles chamaram hemangioma plano de “lesão vascular” e agora somos 2% da população. Confesso que fiquei confusa*. Mancha de vinho do porto também chama hemangioma.
  • 4:54 – “a lâmina de barbear é proibida” meu deus o drama. espinhas sangram mais, sim, porque isso tudo é sangue, mas até agora zero hemorragias.
  • 5:09 – “riscos pequenos se comparados ao preconceito”: melhor sangrar até a morte que alguém te achar feio.
  • 6:01 – “apesar de tudo” Valério é casado e tem um ótimo emprego. como se pessoas com manchas jamais fossem ter a oportunidade de achar um par ou ter um emprego (spoiler: isso é mentira. você vai arranjar uma pessoa legal, se você quiser, e vai achar um emprego bacana, porque uma característica dentre tantas suas não define quem você é)
  • 6:17 – a única frase que fez sentido nisso tudo: “Não quero tirá-la. Ela faz parte da minha personalidade. Tirando, não seria mais eu.” 

[editado]

  • conversando com o Valério ele me explicou que o que eu tenho não chama “hemangioma”, e sim má-formação vascular:

Segundo a Sociedade Internacional para Estudo das Anomalias Vasculares, existem dois grandes grupos: Tumores Vasculares, onde se encontra os hemangiomas – onde existe proliferação celular. E o outro grupo é das Malformações Vasculares.

A notação “hemangioma plano” não é mais utilizada.

Esqueci também de linkar a Abraphel, onde você pode encontrar informações sobre tumores ou malformações vasculares.

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Semana passada eu vim aqui, raspei metade da minha cabeça e disse que não tinha mais medo de ser quem eu sou. Que não tinha mais vergonha de mim mesma, que ia botar a cara no sol. Cinco dias depois, veio a força na direção contrária, me jogou no chão e me fez chorar no banheiro: uma reportagem que era para explicar, piora o estigma e faz a gente parecer defeituoso, doente.

Se vocês querem que a gente se sinta bem, tratem a gente como se a gente fizesse parte do mundo – porque, adivinha só: a gente faz. Passar um batom na cara não vai fazer sua filha se sentir melhor, porque no final do dia ela vai ver você removendo e ela não vai poder fazer o mesmo. Ela vai ver suas fotos antigas e você não vai ter a mancha que ela tem. Mas se você ensinar que ela tem uma mancha e que isso é uma característica dela, ela vai se apropriar desta característica e vai seguir em frente.

Explique para sua filha que ela vai conseguir encontrar um cara/mina legal se ela quiser, que ela não é feia nem precisa ficar com medo, e mostre isso em ações. Que essa mancha não são correntes aprisionando o futuro dela, que ela pode tudo, que ela é incrível, esperta e maravilhosa e que ninguém pode tratar ela mal por nenhum motivo.

Uma coisa legal que fizeram foi essa boneca com hemangioma (e outras deficiências) faz um tempo. Eu confesso que eu fui rolando a página, vi várias deficiências representadas e quando chegou na minha, quase chorei. Porque essas bonecas podem brincar com outras bonecas. Elas não têm vergonhas, não são coitadas e não estão impedidas de realizar nenhum sonho: elas só têm uma característica diferente.

E a gente também.

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ps. Vai ter textão sim. A vida toda fui calada. Eu não aprendi a falar, a expor meu ponto com palavras faladas, porque não pode reclamar, Marta, não pode ser revoltada. Se “vish vai ter textão no blog da Marta” soa como ameaça, melhore, mas não me cale.

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O que foi que você fez?!

Tá faltando um pouco de blogagem de raiz nesse blog. Como vocês notaram (?), diminuí muito o ritmo. Primeiro escrevi três posts/semana, depois nem isso. Acontece. O Diário de Bordo não é nenhuma obrigação na minha vida (e ninguém me cobrou), então faço quando tenho vontade. Nada aconteceu.

Digo, algo aconteceu, sim.

Voltei a postar com frequência uns meses atrás porque às vezes me bate um desespero que eu preciso me COMUNICAR. Eu preciso falar o que eu penso, botar pra fora. A melhor forma que eu faço isso é escrevendo, e me dá um alívio imenso. Eu precisei do blog nos últimos meses como parte de um processo terapeutico, e me foi muito válido. Mas era um processo, e agora estou em outro ponto.

Algumas coisas no trabalho conseguem suprir essa minha necessidade de comunicação. Eu tive novas atribuições que me fizeram muito feliz e completa, e acabaram me acalmando nesse sentido. Comunicar não é nem só escrito, nem só falado; é toda uma mistura de voz, gestos e palavras, coisa que pode ser conseguida por muitos meios.

Então eu tenho várias coisas para contar, lugares para mostrar, opiniões para dar, mas não tive paciência para redigir tudo ainda. Ando bem cansada, esgotada mesmo. Mas de um jeito bom.

Ainda como parte desse “processo terapeutico” (cada vez eu dou um nome diferente pra isso tudo porque nem eu sei resumir em poucas palavras), fui me conhecendo e resolvendo pendências antigas. Tá sendo muito legal. Me expandindo, mesmo. E agora tenho menos medo.

Foi por isso que eu resolvi fazer um sidecut.

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Quando você tem um defeito, seu primeiro ímpeto é esconder aquilo de todo mundo o melhor possível. Shorts na praia. Calça sempre. Nunca aparecer de chinelo. Uma amiga da minha mãe tinha manchas nos braços então ela sempre usava camiseta de manga comprida, sem se importar com o calor. Quando seu defeito é no seu rosto, esconder não é opção. Você acostuma.

Entrando em contato com as pessoas certas, você começa a aprender que aquilo não é um defeito, mas uma característica e não tem mesmo porque esconder. Eu tenho aprendido que tenho diversas características muito diferentes das outras pessoas. Que eu não me encaixo em padrões. E, quando me apropriei disso, me empoderei e me assumi, isso foi de uma maldição para algo maravilhoso.

Porque a liberdade de ser quem você é justifica um monte de comportamentos que as outras pessoas acham estranho – mas é estranho só para quem segue algum padrão. Eu não sigo nenhum. Se antes eu tinha vergonha de ouvir pagode, hoje é hit no meu spotify. Se antes eu tinha vergonha de dizer que gosto de horóscopo, hoje assumo. E fui me assumindo, assim, aos poucos, uma coisa de cada vez. Desde minha orientação sexual até meu cabelo.

Eu sou toda esquisita. Literalmente dos pés à cabeça.

Raspando o lado da mancha eu me assumo pra mim e pro mundo. Eu me sinto forte e corajosa. Eu não tenho mais medo nem vergonha de quem eu sou. E eu não sou melhor que ninguém, mas também não sou pior, doente ou errada. Sou diferente. Sou única. E tô me curtindo muito.

É cedo para retrospectiva 2015. Mas tá sendo um momento bem legal. Bem legal mesmo. 🙂

Esportes servem pra quê?

Quando você junta muitas pessoas de humanas, a treta é inevitável. Semana passada meu colega disse

“Eu sou contra o salário que jogadores de futebol recebem porque eles não geram nada de volta para a sociedade. Meu pai é marceneiro, e o dinheiro que ele recebe gera um bem para a sociedade; sou jornalista e meu salário também gera algo. Mas jogadores de futebol, não. Eles ganham e não geram nada.”

Com o que eu tive de discordar veementemente. Concordo que é dinheiro demais, mas isso é outra discussão.

Primeiro, é importante frisar que eu detesto esportes e acho isso de cuidar do corpo físico um saco, uma perda de tempo. Sou do time do “vamos todos morrer mesmo”, sou sedentária sim, vida segue. Inclusive eu também não gosto de futebol, não torço pra time nenhum e acho a copa do mundo um saco. Mas isso vocês já sabem.

Só que eu tenho feito uma série de posts sobre os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 para o trabalho então ando bem envolvida com esporte. Antes eu também achava que isso não gerava nada, mas hoje eu penso diferente.

Meu primeiro ímpeto foi dizer o quanto entretenimento é importante. Que os seres humanos precisam dessa pausa para pensar em nada e se divertir, senão a gente endoida, e que tem várias formas de se entreter – assistir esporte é uma delas.

Ainda, se o esporte não gera nada, a arte em si também não gera; mas ele discordou, dizendo que a arte gera, sim, alguma coisa. Mesmo que essa coisa não tenha utilidade prática.

Então entendi o que ele quis dizer. Um jogador de futebol realmente não contribui com nada tangível para a sociedade.

Isso não quer dizer que ele não contribui com nada.

Em um país racista como o nosso, o jogador é antes de tudo uma inspiração. A representatividade dos meninos negros e magros da periferia. A forma como eles se vêem fora daquele contexto e das posições que ocupam nas telenovelas. Podemos contar nos dedos a quantidade de super-heróis negros: eu só lembro do SuperShock. Quantos são os jogadores negros?

Nesse ímpeto, a criança cresce em volta ao esporte. Quem faz esporte aprende a conviver em grupo, a confiar nos colegas, a ter responsabilidade, a cuidar da alimentação (se possível), não fica na rua, gasta energia, se diverte, aumenta a auto-estima. Se você é uma criança da periferia, as chances de você marcar todos esses itens sem um esporte são bem baixas.

Esportistas não criam algo físico de volta para a sociedade, mas professores também não. Filósofos também não. Eles só formam… humanos. Humanos melhores, humanos mais responsáveis, humanos com esperança.

Aliás… O que é mais intangível e mais valioso que a esperança?

O machismo não é do homem. É do sistema.

Essa semana passou esse post na minha timeline do Tumblr. É um quadrinho até que bem antigo, de mulheres ouvindo barbaridades de alguém de fora do quadrinho, sugerindo que quem diz as besteiras pode ser qualquer um. Na provocação do Tumblr, as feministas acham que são homens que falam; mas na verdade, são as mulheres.

Quadrinho original
Quadrinho original

 

Quadrinho editado

Eu comentaria sobre a autoria do quadrinho (Katarzyna Babis, uma menina de 22 anos) e a assinatura da edição (por Ben Garrison), mas um pouco de pesquisa mostrou que Ben de fato é um cartunista – cujo traço é bem diferente do de Babis – e que ele é bem trolado na internet: as pessoas colocam o nome dele em qualquer coisa. Então não sei se foi ele quem editou (mas se foi, bem, temos o quadrinho de uma menina versus a edição de um homem branco de meia idade, né. Só isso já invalida a crítica.).

O fato é que fiquei bem triste com a imagem. Porque ela está correta (e as feministas sabem disso, mo quirido). Claro que homens falam essas coisas sim, mas mulheres também falam, e falam alto. E dói o dobro. É mais fácil se livrar de um idiota desconhecido enchendo seu saco do que quando é sua mãe, irmã ou melhor amiga que fala que a sua roupa é inapropriada, ou que você está gorda, ou que deveria “se cuidar”.

Isso acontece porque o machismo não é a opressão de um homem sobre as mulheres, mas a opressão do Homem sobre a Mulher. Do homem como gênero, não como indivíduo. É um sistema que privilegia um gênero contra outro. Por isso que quando vocês vem com “ai nem todos os homens são assim” a gente revira os olhos. Por isso que tem muita mulher machista. Por isso que todos nós, todos os dias, descobrimos algo que é machista e que a gente não tinha se tocado até então.

O capitalismo em si é um sistema não apenas machista, mas opressor. Para o capitalismo funcionar, um grupo necessariamente é superior e oprime outro. No caso das mulheres, é útil para o capitalismo que a vida em casa seja cuidada por alguém, deixando o empregado descansado e 100% focado no emprego. Para isso acontecer, alguém precisa cuidar das crianças, fazer a comida e passar roupa. Quem trabalha fora e não tem empregada nem mora com os pais sabe o quanto isso pesa.

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Não quero colocar o foco no capitalismo porque, bem, não manjo de política nem economia pra falar. O fato é: as pessoas são machistas porque todo nosso ambiente, nosso meio, o nosso “normal” é ser machista. Ter a parte oprimida oprimindo a si mesma é um ganho enorme deles. E por isso a gente precisa se esforçar tanto para desconstruir.

Outro dia fui almoçar com um amigo e comentei sobre as várias vertentes do feminismo e ele estranhou: se um movimento tem tantos problemas, deve ter algo errado. E tem. Somos ensinadas desde pequenas a reproduzir esses discursos aí em cima. A competir, a julgar, a acreditar que a amiga está sendo falsa ou vai te trair. Até a nossa união precisa ser constantemente trabalhada.

Então, caras, o feminismo não se ilude achando que mulheres não são machistas é que é tudo culpa dozome (mesmo que seja). O fato é que, mesmo quando são as mulheres que são machistas, quem se beneficia desse comportamento são os homens.

Portanto, gatas, vamos por a mão na consciência né. Todo mundo já julgou a amiguinha, acontece. Mas daqui pra frente, vamos pensar melhor: se ela saiu sem depilar a perna, bem, foda-se né? Sem sutiã? Que inveja. É dona de casa? Bom pra ela, quero pegar umas receitas. Quer trabalhar e ter filhos? Manda brasa. Filhos nem pensar? Teje livre.

Quando a gente para de mandar na vida dos outros, tira o peso dos outros da nossa vida também.

Paradigma científico

Eu tenho esse desespero, essa ansiedade em ser alguém melhor. Uma pessoa mais madura, mais equilibrada e evoluída. Uma pessoa mais calma, centrada, que respeita o diferente, que amadurece com as opiniões divergentes. Não é difícil notar que estou, ainda, bem longe disso; mas já estive muito mais.

Claro que tive vários incentivos para mudar meu jeito de ver as coisas – e não fiquei nem um pouco mais calma, só mudei o lado da crítica – mas acho que uma das coisas que mais me ajudou foi justamente esse desejo por mudar.

Digo, eu não tenho problemas com mudanças. Mudei muito de escola quando pequena e ficar sempre no mesmo lugar me deixa entediada. O começo da mudança é sempre esquisito, desconfortável, mas é um preço que posso pagar para ter uma visão nova da vida.

E às vezes eu reflito muito sobre isso de se ater ao que você acha certo. Tipo aquelas frases

Se você estiver atrapalhando, é porque está fazendo a coisa certa. Se todos estiverem contra você, é o caminho certo. Mantenha-se ao que você considera correto, por mais que todos digam que você esteja errado.

Eu achava isso muito nobre e lindo. Você se ater às suas convicções mesmo que nadando contra a corrente. E ainda acho que, às vezes, precisa ser assim sim. Se eu sou brigona, é porque realmente acredito no que acredito. (é redundante, sim).

Mas e se, sei lá, eu acreditasse que judeus não são pessoas de verdade? Que negros fossem menos inteligentes? Que mulheres precisam “se dar ao respeito”? Eu ia me ater a essas convicções com unhas e dentes, mesmo que todo mundo me dissesse para ser mais rasoável (aka parar de ser babaca)?

E todo dia eu descubro que o que eu acreditava ontem era meio babaca – isso me fascina bastante. Para crescer um pouco a cada dia, não posso ser tão irredutível. Preciso ouvir, assimilar, mudar meu jeito de pensar. Senão fico no mesmo lugar.

Em determinado ponto, parei de ter convicções, algo que soa muito eterno. Passei a ter uma ideologia buscando o que faz sentido para mim. “Fazer sentido” é algo mais científico do que eterno. Fazer sentido é estar assimilado e é algo que, com estímulo externo, pode mudar.

Isso também me permite ouvir mais. E ser mais enfática. Preciso de argumentos para que algo faça sentido para mim. São os argumentos que formam minha opinião. Comecei a ficar mais atenta para descobrir quando tinha apenas emoções guiando minhas opiniões. Emoções são válidas e importantes, mas tiram o peso do argumento. Não posso esperar que todos concordem que mamão é a fruta mais detestável do planeta sendo que só eu fiz uma dieta onde era obrigada a comer mamão por semanas e tenho uma resposta emocional ao assunto.

O que quero dizer é que a gente precisa tomar um cuidado com isso de se manter firme às próprias convicções. Corro o risco da hipocrisia aqui, humildemente aceitando que esse é um longo processo. Ou pode não ser. É só o que tem feito sentido pra mim.

É só uma pegadinha

Umas semanas atrás eu briguei na firma, na hora do almoço, porque os meninos foram ver um vídeo que começava mais ou menos assim:

Será que a mulher brasileira é interesseira? Vamos fazer hoje o teste e saber se ela te dá bola se você não tiver um carrão!

E eu fico bem brava com isso de mexer com mulher na rua então fechei a cara e não consegui explicar, na hora, porque isso me deixava tão brava. Então vai ter textão 

Vamos ver o vídeo e achar todos os pontos que discordamos? Vamossss!

“Será que a mulher brasileira dá moral para um cara só por que ele está com um carrão?”

Bom, se fosse só a brasileira a pegadinha não tinha vindo de fora né. Mas machismo não existe só no Brasil, é uma coisa meio que mundial. Então no mundo todo as mulheres são ensinadas a serem bonitas porque aí um cara rico vai te querer e você não precisa fazer nada, só enfeitar o mundo dele.

(se ele te bater, te trair, te largar, bem, a culpa é sua).

A pegadinha

Um idiota parou um carro perto de uma faculdade, onde né, só tem menina jovem, inexperiente, ingênua, ficou encostado em um camaro amarelo (rei do camarote?) e aí ele chamava as meninas e pedia informações e convidava elas para irem com ele.

Problemas:

1) O cara é branco e gatinho

Lógico, o negro é só o apresentador bonachão. Se fosse um negro do lado de um camaro talvez caía polícia em cima pro cara não roubar o carro. Ele é todo galanteador e fala que quer comer muito, numa churrascaria chique, que acabou de chegar de São Paulo. Enfim, sou rico gata, confia em mim.

2) Um homem mexe com meninas na rua para uma pegadinha

Já é babaca mexer com menina na rua. Pra ser engraçado para os outros, então, nossa.

3) Ele obviamente só mexe com meninas mais gatas

Porque ninguém vai dar moral para menina “feia” e se vai aparecer no canal que seja umas mina gostosa pelo menos.

4) Ele pede para ela ir com ela

“Vocês apareceram na hora certa, eu vim de São Paulo e…”, ou seja, tenho dinheiro, vocês são especiais, é o DESTINO. Ele pergunta se ela pode ir junto e quando ela nega, porque ele não é tão rico quanto parece e VAI SABER pra onde esse idiota vai me levar, se ele mentiu sobre o carro vai saber sobre o que mais mentiu e NOSSA, OLHA QUE INTERESSEIRA.

Migo se és tão fodão, tão rico, tão camaro, wow, such car, much money, CADÊ O GPS DO SEU IPHONE?

5) ELE AGARROU A SEGUNDA MENINA

“É o destino wiskas sachê” e pegou pela cintura e beijou a menina e passou a mão na bunda e WAIT WHAT? “Ah Marta ela gostou”, bom, PELO MENOS ELA QUERIA TAMBÉM nossa nem sei como agradecer. “VEM CÁ QUE EU VOU TE CONVENCER” what the actual FUCK?

Bônus: propaganda para pegar mulher

Você não precisa ser rico, você não precisa ter camaro, basta usar o celular.

Com essa desculpa de mandar dicas de sedução o cara VENDE UM SERVIÇO para ensinar homens a pegarem mulheres como se fossem COISAS QUE ELES COLECIONAM.

Imagino o que esse curso diz sobre quando uma mulher diz “não”…

Ai, Marta, mas você vê problema em tudo

Vamos nos fazer uma pergunta: a gente precisa de mais uma coisa trabalhando com esteriótipos, machismo, gente babaca? Não. A gente precisa disso como entretenimento? Não. A gente meio que precisa do oposto no momento: de entretenimento que não degrina ninguém. Nem é tão difícil não ser babaca, vamos tentar com mais afinco. Miga, melhore.

Coisas que me disseram quando reclamei

“Ah você tem de ver o vídeo todo para reclamar”
Ok, pronto, vi e tá reclamado com propriedade. Foi horrível. Quero meus 7min de volta.

“Mas elas são interesseiras, elas queriam sair com eles, elas que se entregaram”
Tem uma coisinha que chama dominação. Você sabia que os divórcios no nordeste aumentaram depois do Bolsa Família? O benefício vai para a mãe das crianças que, conseguindo se sustentar, podiam sair de uma relação abusiva.

A ideia é: ser rico para ter uma menina bonita de enfeite. Gata, o cara tá te usando, sai dessa. Se você quer ganhar dinheiro por ser bonita, vai ser modelo. Relacionamento desses é de mentira.

E não OUSE dizer que sou feminista até a hora da conta chegar porque racho TODAS as minhas contas de restaurante e já paguei muito motel nessa vida, principalmente porque o cara se sentia humilhado por ter uma mulher que trabalha pagando sua parte.

“É só uma pegadinha”
É um reflexo do que já acontece hoje, é a gente endossando que mexer com mulher na rua é normal e engraçado e que mulher tem mais é que ser bonita e acompanhar o cara rico e ISSO TUDO TÁ MUITO ERRADO.

Se eu reclamo de falta de representatividade em novela e capa de revista cê acha que vou deixar um negócio desses passar?

“Ouve por um ouvido e sai pelo outro”
Tem duas turmas nesse vídeo: os que fazem a pegadinha e as vítimas da pegadinha. E eu tô no grupo das vítimas. TODOS OS DIAS.

Quando você vê esse vídeo, por algum motivo escroto você ri, fecha e segue sua vida.

Quando eu vejo esse vídeo lembro todas as vezes que mexeram comigo, minha irmã, amigas ou quaisquer outras mulheres na rua. E sei que isso vai acontecer amanhã. E um monte de caras, que viram isso, aprenderam que isso é normal e engraçado.

Não dá para não reclamar, lamento.

“Você precisa explicar pra eles o que é errado”
Uma coisa que aprendi é que só vale a pena explicar o feminismo de verdade para quem é vítima, não para quem é opressor. Para o opressor não interessa mudar. Já é tudo ótimo do jeito que é, eles são beneficiados por isso. O esforço para fazê-los entender é enorme e, muitas vezes, infrutífero.

Mas quando você explica isso para uma mulher, quando acontecer com ela, ela vai lembrar e entender. Ela vai parar de julgar as outras mulheres como interesseiras e saber que ela poderia estar naquela posição, sendo enganada. E se ela for enganada, ela vai estar empoderada para não permitir que isso continue.

Por isso tenho muito mais paciência quando é uma mulher que fala besteira sobre feminismo do que com homem. Porque homem, na moral, que se foda.

Carta ao aniversariante

Eduardo,

É engraçado quando você vive muito tempo com uma pessoa, assim, muito tempo do seu dia. Você começa a perceber como ela se comunica sem palavras, o que a deixa aliviada ou irritada, aprende quais horas do dia ela está mais desperta ou sonolenta, quais comidas gosta e quais nem adianta comprar.

Hoje você completa 27 anos e a gente tem a mesma idade pelos próximos três meses, aí fico mais velha de novo. Um leonino com ascendente em capricórnio e lua em escorpião: menino orgulhoso, certinho e meio vingativo, hehe.

Uma vez minha amiga Paty me disse que o importante em um cara que a gente gosta é o quanto a gente admira ele, e eu te admiro muito. Você quase nunca reclama de nada e é bem paciente. Me ensinou a ver mais coisas, a ser menos egoísta, menos classe média sofre.

Você sempre me respeitou muito. Respeitou minhas crises, meus limites, minhas opiniões e meus ataques de raiva. Me esperou e me ajudou a voltar a ser eu mesma, uma eu mesma muito melhor que jamais fui.

Gosto da sua companhia. De sair pra tomar café e falar de bobagens, ou perguntar sobre política ou discordar de ti só pra treinar nossa argumentação. Gosto dos nossos maneirismos e que a gente goste de fazer coisas semelhantes mas tenhamos olhares diferentes, pra poder discutir.

Gosto quando você fica emocionado com coisas que eu acho simples, com uma história, uma música ou uma crônica. Amo sua sensibilidade. Adoro ser uma das poucas pessoas que sabem identificar seus sentimentos. De entender, com um toque ou um olhar, o que acontece à nossa volta.

Fico tão boba quando entro em um ônibus e você está lá, ou quando te vejo no meio da multidão. É como aquela segunda vez, que te esperei sair do metrô e pulei no seu pescoço e te lasquei um beijo: é aquele mesmo sentimento, quase cinco anos depois.

Feliz aniversário, meu bem. Que esse ano novo da tua vida seja espetacular.

Marta.

Tag: Complete a frase

A JoCoeli do Nunca Vesti 36 me chamou para a tag do Complete a Frase e eu fiquei super contente  porque se tem uma coisa que eu amo mais que blog de raiz essa coisa é meme de raiz, quando meme ainda era a palavra que a gente usava para tags, e não bordões.

Então vamos lá 😀

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Sou muito… exagerada. Mas tipo MUITO exagerada MESMO. E engraçada.

Não suporto… machismo e gordofobia. É uma coisa que me tira do meu eixo, ainda mais quando vem de homem-branco-cis-hétero.

Eu nunca… usei maconha ou qualquer outra droga ilícita. Acho que só lança-perfume, uma vez, voltando de um JUCA. Mas não lembro bem, rs.

Eu já tive… uma casa completinha, com tapete na sala, sofá, móveis da cozinha, um monte de eletrodomésticos… Ficou tudo em São Paulo e sou apegada, sim.

Quando criança… eu tinha uma cidade imaginária e os inimigos da minha cidade eram os Borgs, de Star Trek (tudo que eles tocavam virava aço/robôs). Eu sempre tive dificuldade para dormir, então imaginava que estava no hospital (?). Foi tudo muito irônico quando realmente dormi no hospital e realmente tinha ferros dentro dos meus ossos, rs.

resistance-is-futile

Nesse exato momento… eu deveria estar dormindo mas vamos adiantar um pouco do BEDA né 🙂

Eu morro de medo… de dirigir, de andar de bicicleta, de cair. Cair no chão, sabe. Eu consigo me visualizar caindo e isso me dá arrepios, aí tenho de parar de andar, respirar fundo, lembrar que isso foi só imaginação e voltar a andar.

Eu sempre gostei de… computadores e ficção científica, desde criança.

Se eu pudesse… pagava todinha minha dívida no banco pra não ter mais de me preocupar se estou no vermelho. E pintaria minha casa!

Fico feliz quando… recebo abraços de amigos :3

Se pudesse voltar no tempo… eu teria começado terapia muito antes para evitar chegar no ponto em que cheguei. E tentaria não quebrar minha perna. E provavelmente não faria a segunda operação no tornozelo.

Adoro… chá quente, café depois do almoço, doce <3

Quero muito… ver meus pais e abraçá-los 🙂 Saudades já.

Eu preciso… voltar a me mexer. Saí do yoga porque estava muito longe de casa e sinto falta. E voltar para a terapia, mas… ainda não. Mais um pouquinho de tempo pra mim. Aí volto.

Não gosto… de dietas, desse papo “vida saudável”, da obrigação de fazer exercícios e da obrigação de ser feliz o tempo todo.

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Gente, relendo isso, como o acidente ainda está marcado né? Se você está por fora, em 2011 eu tive um… erhn… acidente. Caí e quebrei a perna e o tornozelo. Às vezes acho que vou levar muito mais tempo para absorver isso do que realmente parece…

Passando a tag, chamo a Lecticia 😀