Category Archives:Livros

Manda mais bad que tá poco (não)

Eu sinceramente acreditei que ia ser mais fácil lidar com a depressão em Santa Catarina, comparado a São Paulo. Não achei que ela fosse me deixar; mas achei que ela ia se dissolvendo aos poucos, como uma névoa, e ficar lá quietinha no canto dela mantida calma sob efeito de pouca sertralina e talvez nenhuma lamotrigina. Ilha da magia né. Trocar as marginais pelo mar, o trânsito por vinte minutos de ônibus, sair de um grande jornal para trabalhar em uma startup, etc.

Não foi isso que aconteceu. Aqui tive a pior crise depressiva desde o acidente.

A vida do lado de fora impacta o lado de dentro, e a gente fica desesperado procurando justificativas por estar se sentindo tão mal. Meu emprego estava mal. Meu marido, desempregado. Devendo muito dinheiro pro banco. Minha casa era temporária. Mas aí o lado de dentro piora o lado de fora. Não tinha libido. Não tinha energia. Só cansaço e sono e a certeza que queria morrer.

A diferença entre a primeira e as próximas crises de depressão é muito grande. Na primeira você não tem certeza de nada; a vida parece ter mudado e aquele novo estado, gosmento e cinza, é absoluto e infinito, como se as coisas sempre tivessem sido assim mas só agora você as enxergou como realmente são, e não o oposto. Depois de quatro anos com depressão, com idas e vindas de humor e remédios, quando bate a bad de novo você sabe o que esperar.

Isso não torna as coisas mais fáceis nem por um segundo.

A diferença é que você sabe que caiu na correnteza só por um momento, mas logo vai conseguir chegar em terra firme de novo. É só esperar um pouquinho e não fazer nada estúpido, como terminar um namoro, cortar o cabelo ou se jogar do viaduto, por mais vontade que dê, por mais óbvio que pareça que é a única opção.

Você prende a respiração e espera. O que na prática é chorar a madrugada inteira e o próximo dia inteiro e ir em modo zumbi para suas obrigações, se conseguir, e não fazer mais nada, e esperar acabar e querer morrer.

Mas você não morre. Porque é só seu cérebro meio gripado.

E quando o remédio finalmente faz efeito cai o estalo que você precisava, o galho para você se agarrar. Você percebe que estava comparando coisas erradas, que na verdade você é até ok e de repente aquela mão na cintura arrepia de novo e você tem muita vontade de transar, tipo, o tempo todo, e fica feliz por não ter feito nenhuma merda.

Pelo menos isso.

Mas se você fez alguma merda, também, tudo bem sabe. Você estava doente. É uma droga porque você vai precisar lidar com as consequências mesmo assim, mas você estava do-en-te. Acontece.

Sei que esse tema é um pouco recorrente por aqui, mas tô lendo A Redoma de Vidro, por indicação da Lec. Nunca vou escrever uma resenha melhor do que essa da Teoria Criativa. Leia a resenha antes do livro pois: triggers. E se você tem problemas com triggers, nem comece a leitura, porque aí você se apega à personagem e já era, precisa continuar lendo. E você se apega a ela muito rápido.

No mais, hoje estou bem melhor. O trabalho melhorou muito, mudamos para uma casa mais barata e “definitiva” (pelo menos não tenho prazo pra sair de lá), Eduardo fez várias entrevistas, dobrei o remédio e a libido voltou (uhul /o/). Mas é sempre importante lembrar que depressão é real, bipolaridade é real, que precisa de tratamento. O que não é real é como a vida parece de dentro dela – por mais que pareça.

Vai ter mais TAG sim: Liebster Award

liebsterawardA Sybylla do Momentum Saga me tagueou em outra tag então, apesar do atraso, vamos nessa.

Regras:

  • Escrever 11 fatos sobre você.
  • Responder às perguntas de quem te indicou a TAG.
  • Indicar de 11 a 20 blogs.
  • Fazer 11 perguntas pra quem você indicar.
  • Inserir no post uma imagem com o selo Liebster Award.
  • Linkar de volta quem te indicou

11 fatos sobre mim:

  1. Sempre fui ansiosa então eu ficava frustrada de ter sete anos e não saber ler ainda. Meu pai falou “calma, cara, você vai aprender aos poucos” e acalmei.
  2. Eu odiava muito a leitura obrigatória do vestibular. E eu não consigo fazer coisas que não fazem o menor sentido pra mim. Então já teve vez da minha mãe me trancar no quarto pra eu ler algum clássico que nem lembro mais qual era.
  3. Leio rápido quando o livro é gostoso de ler, interessante e fácil. Já li Harry Potters em dois dias.
  4. As pessoas dizem que eu leio muito, mas não é nada demais ler as coisas que eu leio.
  5. Muitas vezes troco almoços com as pessoas do trabalho por almoços com livros e não me arrependo.
  6. Tento aceitar as adaptações mas quando elas perdem a essência e viram outra coisa (como Percy Jackson, meu deus o horror) fico bem brava.
  7. Aliás, gosto muito de ficção científica e literatura infanto-juvenil. Não tenho vergonha disso.
  8. Consigo ler em praticamente qualquer ambiente, mas o lugar onde mais estou acostumada é ônibus. Antes eu ficava horas demais no ônibus então aproveitava a viagem para ler.
  9. Posso ler em inglês, mas demora demais e me irrita. Demora o tempo normal, acho, rs. Aí parece que não estou evoluindo na leitura e me dá preguiça. Além disso meu entendimento é meio superficial. Deveria investir mais nisso mas não gosto.
  10. Não curto acumular livros. Só guardo comigo os que amo muito e os autografados. Isso dá uns 20. O resto é tudo digital.
  11. Livro pra mim é entretenimento. Não faz sentido me forçar a ler algo chato. A vida é curta demais e tem livro demais para insistir em algo que não vai para frente.

Minhas respostas:

1. O hábito da leitura vem de onde?

Minha mãe é bibliotecária e meu pai me ensinou a ler, me botando no colo enquanto lia o jornal. Ler sempre foi algo muito natural para mim; mas tenho de admitir que ter amigos que lêem também ajuda a manter o fogo aceso. Assim como acompanhar séries juntos, poder conversar sobre livros é bem legal.

2. Você prefere livros físicos, ebooks, ou os dois?

Gosto mais de ebooks pela praticidade, mas claro que ainda gosto de livros físicos. Só não são mais os primeiros que eu compro.

3. Você tem e-reader?

Yup, já tive um kobo e agora tenho um kindle.

4. Qual seu gênero literário preferido?

Ficção científica, de longe.

5. Lê literatura brasileira?

Não gosto de clássicos brasileiros por trauma do ensino médio. Mas autores brasileiros leio, sim, principalmente se for fantasia ou ficção científica.

6. Gosta de ler resenhas antes de comprar um livro?

Não costumo ler antes, mas gosto de ler depois que li hahaha para ver se concordo com a resenha ou me adiciona alguma camada de significado.

7. Qual sua série literária favorita?

Fronteiras do Universo, cujo primeiro livro é A Bússola de Ouro. Mistura ficção científica, fantasia e uma personagem mulher maravilhosa.

8. Lê, em média, quantos livros por mês?

Então. Ano passado eu conseguia ler 3 ou 4 por mês, dependendo da empolgação. Esse ano não consegui voltar ao ritmo. Depois notei: antes eu ficava muito tempo fora de casa e precisava de um hobbie mais… mobile, rs. Hoje com mais tempo em casa me dedico a séries ou aqueles livros de pintar.

9. Tem preconceito com algum gênero literário? Por que?

Não gosto de clássicos, principalmente os nacionais. Acho chatos, longos, sem sentido no final das contas. Nada acontece, feijoada. Entediante demais. Não me acho inteligente o suficiente para gostar disso.

10. Compra livros online ou prefere ir à livraria?

Eu amo ir a livrarias. Livrarias são bibliotecas com apelo para a compra. Muitas vezes eu vou à livraria, fotografo os livros que gostei e depois procuro para comprar online a versão digital.

11. Autor ou autora da qual você não perde um livro sequer?

Neil Gaiman! <3 Meu TCC foi baseado nele e desde então tudo que aparece dele eu quero ler. John Green também, e ele é mais fácil: tem menos livros e são obras mais fáceis de ler 🙂

E agora 11 perguntas para vocês:

  1. Tem algo que você se arrependeu de ter perdido o tempo lendo?
  2. Se você pudesse investir em uma adaptação, qual livro você transformaria em filme ou série?
  3. Já aconteceu de você ler um livro digital e comprar a versão física? Qual?
  4. Com qual personagem você gostaria de fazer amizade na vida real? Ok, no máximo três 😛
  5. Existe algo que você quer muito ler mas ainda não teve tempo?
  6. Você acha o preço dos ebooks justo? Por que?
  7. Já teve vontade de escrever seu próprio livro? Sobre o que seria?
  8. Teve algum livro que você não dava nada, mas quando leu se surpreendeu?
  9. E qual é aquele livro que, na sua opinião, toda pessoa viva precisa ler?
  10. Um livro que mudou sua forma de ver a vida.
  11. Lendo neste momento…?

Convocando Lecticia, Demétrius, Pôlo, Nana e você também. Meu network de blogs não tá tão grande rs. Quem não tem blog pode responder aqui ou no Fb 🙂

Tag: Livros

Uma das coisas que mais gosto na blogosfera moleque, na blogosfera de raiz, são essas tags. Acho muito divertido. Antigamente chamávamos isso de meme, e os memes não eram memes ainda. Bons tempos.

A Lec me tagueou nessa de livros. Apesar de eu já ter falado muito sobre meus livros do ano passado, é bom relembrar e focar algumas questões.

2014

1. Um livro que te surpreendeu em 2014?
A trilogia A Seleção. Estava com medo de ser apenas mais um conto de fadas. É bem escrito? Mais ou menos. É bom? Não. Não é sequer a melhor trilogia que li no ano. Mas achei que fosse ser pior, e foi bacana.

2. Um livro que te decepcionou em 2014?
Todos os oito. fucking. livros. de Artemis Fowl. A série envelheceu muito mal.

3. A melhor adaptação que você viu em 2014?
Jogos Vorazes, sem dúvida, mas não sou muito de cinema.

4. Um livro que não conseguiu terminar em 2014?
Vou colocar 3001. Porque o ano acabou antes de eu conseguir terminar de ler e porque do meio pra frente ficou muito chato e acabei desistindo.

5. Quantos livros você conseguiu ler em 2014?
A espantosa marca de 41,5 livros. Eu morava muito longe do trabalho e adoro ler no ônibus. Engatar trilogias e coleções foi outra estratégia para ser tantos assim.

2015

6. Um livro que você está ansiosa para o lançamento em 2015?
Gente, tô totalmente por fora. Geralmente pego séries que já acabaram de escrever então não sei.

7. Um (ou mais) desafio que se dispôs a participar em 2015?
Eu pensei em fazer o mesmo que a Lec. Achei a proposta muito bacana. Mas não estou conseguindo ler muito em SC e detesto ler forçada (traumas / dramas). Então nenhum.

8. A adaptação mais aguardada por você em 2015?
Jogos Vorazeeeeessss! O que eu vou chorar nesse filme não tá no gibi!

9. Uma leitura que pretende retomar em 2015?
Terminar o 3001, pelo menos.

10. Três livros da sua Meta para 2015?
Olha. Eu gostaria de ler A Fundação, do Asimov. Também quero ler O Andar do Bêbado, que já comecei mas… E finalmente, o livro de Star Wars (capts I, II e III, que obviamente são os que vem DEPOIS do IV, V e VI, mas ainda não achei o livro da primeira parte, então vou começar pela segunda.)

Seria legal ver a Sybylla, o Sandro e o Pôlo participando 🙂

Foto de Patrik Goethe.

Retrospectiva 2014 – Livros

Acho que esse foi o ano que mais li na vida e é tudo culpa do Kindle. E mesmo assim poderia ter lido mais.

Foram mais de 40 livros,  7 coleções (e meia), 184 estrelas, 3 abandonos. Nada mal.

Auxiliada pelo meu Skoob, segue uma brevíssima resenha de cada um, dizendo minhas impressões deles. Espero que sirva para você bater o olho e descobrir alguma de suas próximas leituras 🙂 Eu gosto de ficção científica e futuro distópico, então desculpa se ficar redundante 😛

Quando eu digo “background” me refiro ao universo que a história foi criada e ao contexto do momento.

todos-os-livros

Abandonei

(não está na foto acima)

Para ler romances como um especialista (Thomas C. Foster) – na verdade ensina mais como escrever do que como ler. Ajudou muito e tudo, mas lá pelo meio ficou super chato e morri de tédio. Quando vi que tava enrolando demais pra ler, larguei pra priorizar outras coisas mais legais.

O Pacto Cassandra (Robert Ludlum) – nem lembro porque larguei, acho que era chato demais apenas.

Páginas do Futuro (vários autores) – só marquei como “abandonado” porque não li todos os contos, mas meu amigo Pôlo fez uma resenha em vídeo dos que ele (e eu) gostamos mais.

Livros soltos

O chamado do Cuco (Robert Galbraith) – Um romance investigativo muito envolvente. Comecei a ler em 2013 então não sei se conta? Enfim, pelo menos uma história que a Rowling conseguiiiiu escreveeeer sem ser Harry Potter nem ser um tormento de leitura.

Lugar nenhum (Neil Gaiman) – Um dos poucos que faltava do Gaiman pra eu ler, mas todo ano aparece um-livr0-antigo-do-Gaiman-que-eu-nunca-li. A fantasia mistura o real e imaginário como só Gaiman sabe fazer. É envolvente, divertido e rendeu uma ótima leitura.

Perdão, Leonard Peackock (Matthew Quick) – Esse perturbado do Quick não consegue fazer um livro com personagens normais. Depois de “O Lado bom da Vida” (não confundir com o filme que é raso e uma droga), ele agora traz um garoto retratando o dia do seu próprio aniversário e tentativa de suicídio. Leitura pesada, mas muito bem escrito. Quick vai desenrolando a história aos poucos, sempre em primeira pessoa, então você na verdade não quer saber o que vai acontecer, mas descobrir o que aconteceu pra chegar naquele ponto. Gosto muito dessa narrativa dele.

Carpinteiros, Levantem Bem Alto a Cumeeira & Seymour, Uma Apresentação (J. D. Salinger) – Foi o livro mais difícil de ler do ano. É uma linguagem diferente e muito interessante. Acho que por ser clássico tem essa diferença de jeitos de falar. É bacana, mas me gerou uma ressaca literária longa, acho que devido ao esforço (fico com vergonha de admitir isso porque apesar de ler muito, é tudo “blockbuster” rs)

Amadora (Ana Ferreira) – Um livro de s0ft porn, bem ruinzinho, que precisei ler pra sair da ressaca literária.

Palavra por palavra (Anne Lamott) – Livro que ensina a escrever com a história da escritora. Muito gostoso de ler, dá dicas ótimas.  Me inspirou a fazer várias crônicas aqui pro blog.

Hipersonia Crônica (Aline Valek) – Conto de ficção científica, universo alternativo, essas coisas. Bacana.

Alta fidelidade (Nick Hornby) – Odiei o livro, mas tenho de admitir que é muito bem escrito. Apenas saiu da minha zona de conforto. O personagem é um babaca, mas faz sentido na história ele ser um idiota, então fazer o quê? Mas li com raiva. Queria bater nele o tempo todo. Muita gente disse “A trilha do filme é ótima!” mas adivinha só: livro. não tem. trilha. sonora.

Colin Cosmo e os Supernaturalistas (Eoin Colfer) – Tinha lido esse livro faz tempo e reli agora. Envelheceu muito bem. Conta a história de um menino em um orfanato do futuro que consegue fugir de sua rotina de cobaia de laboratório e encontra um grupo de caçadores de coisas fantasmagóricas. Muito bacana, uma história bem legal.

Dádiva de Sangue (Sandro Moura) – Um conto medieval muito bacana.

Deixe a neve cair (John Green, Maureen Johnson e Lauren Myracle) – Só o último conto é meia-boca. Nos dois primeiros eu chorei. É bem adolescente, mas muito fofo. Ninguém morre de câncer.

Quarto (Emma Donoghue) – Mais um livro de um escritor perturbado, conta a história de um menino filho de uma vítima de sequestro quando completa cinco anos. Ele nunca viu nada fora do quarto e acreditava que as coisas da TV eram de mentira. Então a mãe bola um plano para conseguir sair do cativeiro. Muito pesado, porque é contado em primeira pessoa com a visão da criança. Mas muito bem escrito.

Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo (Benjamin Alire Sáenz) – Livro fofíssimo que conta a história de dois amigos que não têm muito em comum, mas acabam crescendo e se conhecendo juntos. Adorei.

Coleções

Acho bobagem falar de cada livro de uma trilogia, já que a maioria delas é uma história dividia. Mas aqui vão entrar também coleções de livros, que fogem desse padrão.

 As Peças Infernais (Cassanda Clare) [Anjo Mecânico, Príncipe Mecânico, Princesa Mecânica] – Quando me recomendaram essa trilogia me disseram “É adolescente, mas fazia tempo que um livro não me fazia sentir tanto”. De fato, Clare sabe fazer você ficar empolgado com o amor como se ainda tivesse quinze anos (se você tem quinze anos, largue tudo e vá ler essa trilogia agora). Além disso é um universo steampunk muito bacana e bastante feminista, então adorei.

The Hunger Games (Suzanne Collins) [Jogos Vorazes, Em Chamas, A Esperança] – A trilogia Jogos Vorazes ganhou o Troféu Marta Preuss de literatura 2014. Foram de longe minha favorita. As personagens, a história, o background, é tudo perfeito. E a adaptação para o cinema tem ficado muito boa: os filmes e livros se completam. Se você não leu ainda, leia. Sério.

Feios (Scott Westerfeld) [Feios, Perfeitos, Especiais, Extras] – Quando acabou Jogos Vorazes senti falta de outra trilogia assim. Já estava olhando a Feios fazia um tempo mas estava com medo de ser uma bosta. Não é uma bosta. O background é bom, a história é boa, é bem diferente de Jogos Vorazes apesar que podia coexistir, como se o mundo de Feios fosse a Capitol. Mas a personagem principal sempre precisa de um homem. O cara que ela tá afim é melhor, o amigo é melhor, todo homem é melhor e mais esperto que ela e ela entra em várias roubadas por ir atrás de homem. Isso me deixou meio meh. O quarto livro é uma história solta no mesmo universo, que traz uma temática importantíssima (como nossos minutos de fama poderiam influenciar uma sociedade), mas o irmão da protagonista é mais esperto que ela etc. É por isso que não queremos homens no clubinho feminista. Não basta botar uma mulher como personagem principal se ela vai ficar sempre em segundo lugar.

Divergent (Veronica Roth) [Divergente, Convergente, Insurgente] – Não vi esse filme, mas por favor parem de falar que isso é cópia de Jogos Vorazes porque meu Deus não tem nada a ver. Se vocês tivessem lido até o final saberiam disso. Muita gente fica brava com a personagem principal chamando ela de fraca no segundo livro, mas eu me identifiquei muito e me sentiria da mesma forma no lugar dela. É bem realista, tem um background muito bom porém mais potencial que resultado. Acho que falta um pouco do sentimento das Peças Infernais. É uma história bem contada, mas muito… mecânica, não sei.

Artemis Fowl (Eoin Colfer) [O menino prodígio do crime, Uma aventura no ártico, O código eterno, A vingança de Opala, A colônia perdida, O paradoxo do tempo, O complexo de Atlântida, O último guardião] – Bem, sem dúvida a coleção que me fez chegar a essa quantidade espantosa de livros lidos e o pior é que foi uma droga. Li os primeiros quando criança e saiu o último esses tempos, então fui reler e envelheceu muito mal na minha opinião. Mal escrito, falho, repetitivo. Apesar de ser uma coleção com histórias independentes, todas tem a mesma temática, os mesmos personagens, o mesmo inimigo. O pior é que teria muito potencial. O background é de criaturas élficas e míticas equipados com super tecnologia, e uma criança-prodígio como anti-herói. Não tinha como dar errado, mas acabou ficando forçado e cansativo. Acho que ainda serve para pessoas abaixo dos treze anos.

A Seleção (Kiera Cass) [A Seleção, A Elite, A Escolha] – Eu estava com muito medo de ser uma trilogia muito machista, mas como também era de futuro distópico dei uma chance e não me arrependi. A personagem principal é forte e crítica, quase uma Liz de Orgulho e Preconceito, porém cheia de defeitos e inseguranças. Uma pena Cass não ter dado mais foco no background, que parecia ter muito potencial. Como a história passa dentro do castelo, você não tem nenhuma ideia de como é o mundo lá fora. Pode ser que essa seja a ideia, se sentir como os ocupantes do castelo, mas ficamos com vontade de saber mais. Ainda assim, uma boa trilogia.

Fronteiras do Universo (Philip Pullman) [A bússola de ouro, A faca sutil, A luneta âmbar] – Já que reli uma coleção que não gostei, resolvi reler minha trilogia favorita da vida. Quando me perguntam meu livro favorito nunca exito em responder Fronteiras do Universo. É uma história espetacular, que começa em um mundo e passa por outros vários. Lyra é forte, teimosa e muito ingênua. Não gosto como ela fica depois que Will aparece, mas eles acabam encontrando equilíbrio e respeito. A história ainda desconstrói Deus, ciência e religião. É lindo. Envelheceu muito bem.

Odisseia Espacial (Arthur C. Clarke) [2001, 2010, 2061, 3001] – Da mesma forma que Fronteiras do Universo é minha trilogia favorita, 2001 é meu filme favorito. Arthur C. Clarke e Stanley Kubrik produziram o livro e o filme ao mesmo tempo, então uma coisa completa a outra. Eu tinha lido 2001 em inglês ano passado, mas reli esse ano para fechar a coleção de histórias independentes com o mesmo background. E que background! É sabido que Clarke conseguiu imaginar diversas coisas sobre o futuro e fez muita pesquisa para seus livros. Infelizmente não consegui terminar tudo esse ano, estou no 2061. Mas quem gosta de sci-fi não pode deixar de ler essa coleção. É espetacular. Muito profunda, cheia de detalhes e com bastante suspense.

Meta de leitura 2015

Não tem meta de leitura pra 2015. Espero ler muito e mais do que li esse ano. Tem algumas coisas na minha lista de “vou ler” e ganhei dois livros nesse final de ano. Além disso, preciso ler A Fundação de Asimov, porque quem gosta de sci-fi também não pode ficar sem isso.

Não leio tudo isso por obrigação ou para bater metas; mas quando um livro é bom, devoro. Deixo de almoçar, deixo de dormir, aproveito nas viagens de ônibus, acabo em três dias. Se a média fosse 5 dias por livro, teria lido muito mais esse ano. Mas claro que tem horas que cansa, que não tô afim. Normal.

Ainda mais ano que vem que vai ter tanta novidade. Vamos ver como vai ser. 🙂

Você gostou de algum da lista? O que pretende ler ano que vem? E o que mais gostou de ler em 2014?

Resenha: Coleção Artemis Fowl

Conheci Artemis Fowl quando adolescente. Eoin Colfer foi na onda Harry Potter e criou um mundo das fadas. Diferente do mundo bruxo da J. K, o mundo das fadas é altamente tecnológico e vem se escondendo dos humanos há gerações. Temos a polícia de alto-padrão, chamada LEP, uma elfa esperta, um centauro gênio da ciência e um anão peidorreiro. Enquanto isso, um “garoto-da-lama” (como são chamados os humanos) bem inteligente chamado Artemis Fowl quer roubar ouro do povo das fadas para encontrar seu pai, sequestrado no Ártico.

Os três primeiros livros (de oito) são bem interessantes. Não é uma sequência, cada livro pode ser lido independente, e as histórias têm começo, meio e fim. Claro que alguns detalhes acontecem nos livros anteriores, então ler tudo em ordem faz mais sentido. Como uma ficção científica adolescente, não é a coisa mais bem escrita (ou bem traduzida, não tenho certeza) do mundo, mas temos uma personagem feminista, fantasia e aventura na dose certa.

Artemis se torna progressivamente uma pessoa melhor. O Povo das Fadas ajuda a encontrar e criar sua ética, a fazer coisas boas e aplicar todo seu conhecimento para o bem tanto do Povo da Lama quanto do Povo das Fadas. Quando Artemis não é mais ameaça, surge Opala Koboi: um gênio em tão alta estima quanto o centauro Potrus, mas mimada, egalomaníaca e gênio do crime.

Infelizmente a imaginação do autor parou por aí e o resto dos livros (com exceção de um) foram todos sobre Opala-Koboi-contra-a-LEP-com-uma-ajudinha-de-Artemis. Foi duro ler tudo até o final. Apenas um dos livros foi sobre o irmão do comandante Julio Raiz, que foi pelo menos um pouco inesperado.

Para o background que Colfer desenvolveu, era possível criar histórias muito mais dinâmicas. Sabemos que Colfer pode fazer coisas bem legais, como Colin Cosmo e os Super Naturalistas, então por que não investir em mais vilões para Artemis Fowl desvendar? É como se a inteligência de Fowl sobrepujasse a do próprio Colfer.

Ainda assim, mesmo que para nós adultos já não seja uma leitura tão atrativa, é um bom presente para quem está começando a ler.

Livros da série:

  • Artemis Fowl: O Menino Prodigio do Crime
  • Artemis Fowl: Uma Aventura no Ártico
  • Artemis Fowl: O Código Eterno
  • Artemis Fowl: A Vingança de Opala
  • Artemis Fowl: A Colônia Perdida
  • Artemis Fowl: O Paradoxo do tempo
  • Artemis Fowl: O Complexo de Atlântida
  • Artemis Fowl: O último guardião

Além disso confira no Marcando Livro as frases que destaquei de livros de Eoin Colfer. Como conselho final, se quer conhecer o autor leia Colin Cosmo mesmo. É bem mais divertido e criativo que oito livros da mesma história.

Livros que marcaram a infância

Aprendi a ler o que hoje acho tarde, seis ou sete anos. Meu pai me sentava no colo aos domingos e líamos o jornal juntos. Todas aquelas letras, tanta informação, era tão fascinante. Aos sete, eu estava impaciente: “Pai, eu quero aprender a ler logo! Por que demora tanto?” “Calma, ué. Até o final do ano você aprende”.

(tenho amigos que liam com três anos de idade. sinceramente.)

Sou filha de bibliotecária, então sempre tive muito respeito por livros. Quando pequenininha, pegava aqueles pequenos e divertidos. Não me lembro de ter ido em alguma livraria e meu pai não ter comprado o livro que pedi. Ele nunca negava.

Em casa tinha toda a coleção de Monteiro Lobato mas eu achava muito complicado de ler. Era um livro muito grande para as minhas mãos pequenas e mente impaciente. Comecei a ler mesmo, por gosto, pelos 13 ou 14 anos. Pegava livros com frequência na biblioteca da escola. Lia com gosto as recomendações dos professores. O Cão dos Baskerville, A Marca de uma Lágrima, toda coleção “A droga da…” (do Pedro Bandeira)… O de sempre, acho. Adorava.

Mas os adultos conseguem estragar tudo no colegial. Impressionante como o Ensino Médio é fomentador de traumas. No colégio você não tem tempo para ler o que quer, mas precisa ler os clássicos para passar no vestibular. Certamente compreendo que algumas pessoas não superem esse trauma e detestem ler quando adultos. Éramos jovens, impulsivos. Queríamos infanto-juvenis: ação, romance, mistério até. E nos davam clássicos goela abaixo.

Eu tive de ler o Inferno de Dante com quinze anos. Sinceramente. E depois todos os horrores que pudessem haver, menos Macunaíma. Certa vez, minha mãe me botou de castigo com plenos 16 anos nas costas, para ler um livro que nem lembro mais qual era. De raiva, nunca li Macunaíma, o próximo da fila. Me recuso, até hoje.

Só quando você finalmente passa no vestibular que te liberam para ser o que quiser (pelo menos no meu caso) então foi aí que eu realmente comecei minha vida de leitora, de verdade. Eu levava pelo menos duas horas para chegar e voltar do trabalho, então aproveitava esse tempo para ler. Li Senhor dos Anéis, Nárnia, A Bússola de Ouro (trilogia Fronteiras do Universo) e muito mais. Continuo assim até hoje.

Quando somos crianças temos um apelo muito grande para a leitura. Nos ensinam a ler e interpretar, imaginar aquela história na cabeça, completar os personagens e entender o que eles querem dizer, quem eles são, o que estão sentindo e porque estão agindo daquela maneira. Eu não entendo porque precisamos sacrificar tanto esforço na adolescência, obrigando crianças que deveriam estar lendo John Green a lerem Fernando Pessoa sem entender nada, apenas para passar em uma prova besta que não significa tanta coisa.

Pelo menos não significa o amor que nós temos pela leitura. O ônus do vestibular, de obrigar pessoas a ler, é muito maior do que o bônus de passar na faculdade. É uma conta que não fecha, não compensa.

Eu deveria ter lido muito mais, poderia ter lido mais. Mas não consegui, ou não quis. Eu tive a sorte de ter isso tão intrínseco em mim. Minha mãe sempre tem algum livro para ler antes de dormir. Meu pai sempre valorizou isso demais. Então nos caminhos infanto-juvenis fui achando meu caminho, gostando do que lia e lendo por entretenimento.

Diferente de outras mídias, no livro você participa. Você completa, imagina, põe um pedaço de você nos personagens. É uma troca muito grande. Sou grata, pois não seria completa sem este universo.

#BCLivrosdeInfancia

Resenha: trilogia Feios

A Trilogia “Feios” é um trabalho do texano Scott Westerfeld, lançada nos Estados Unidos entre 2005 e 2007 e conta com os títulos Feios, Perfeitos e Especiais. Depois destes títulos, ainda foram lançados outros quatro adicionais, no mesmo universo mas com outras histórias: Extras (já lançado no Brasil); Bogus to Bubbly: An Insider’s Guide to the World of Uglies, Shay’s Story e Uglies: Cutters, os três últimos ainda não lançados no Brasil.

O mundo de Feios é a Terra em um futuro onde os Enferrujados (nós) acabaram com a natureza e se expandiram sem controle até alguém criar uma bactéria que infectava e explodia o petróleo. No mundo de Tally Youngblood, nossa heroína, não existe qualquer petróleo. O transporte é feito sob placas de metal em pranchas ou carros magnéticos.

As crianças vivem com os coroas até os 12 anos, quando elas vão para a Vila Feia. Lá, esperam completar 16 anos para passar pela cirurgia do governo, que transforma todos os feios em perfeitos e vão morar na cidade de Nova Perfeição, cheios de festas e mimos até serem velhos o suficiente para ter uma profissão. Tally descobre, então, que não é só o físico e não é só por estética que o governo faz a cirurgia.

O futuro do livro é excelente, a ficção científica é muito boa e bem explicada. Westerfeld consegue usar gírias muito bem, tão bem que você começa a usar “borbulhante” e “falso” no dia-a-dia. Ele trabalhou com a linguagem do adolescente futurista sem soar falso ou exagerado. O ritmo de leitura é muito bom e o argumento é espetacular.

Apesar disso tudo, de ser uma boa história e uma crítica social excelente – primeiro sobre padrões, depois sobre fama – Westerfeld pecou feio em um ponto que ficou muito claro e muito incômodo para mim: seus livros são extremamente machistas.

Não o machismo descarado, mas o machismo velado dos falsos argumentos. Tanto na trilogia quanto no livro solto, as personagens principais são meninas adolescentes mas em ambos elas são falsas, manipuláveis e os homens são sempre melhores que elas. O amigo de Tally virou perfeito antes dela e tudo que ela queria era ficar com ele, o que a levou trair o rapaz que sabia mais da natureza e da operação que ela. E depois ela traiu todo mundo de novo por um perfeito mais esperto que ela, que teve o cérebro destruído por culpa dela, por medo. A melhor amiga de Tally, Shay, não se importou tanto com a traição a Fumaça quanto Tally “roubar” seu namorado. Tudo gira em torno dos homens, as meninas fazendo tudo para agradá-los, conquistá-los. Elas sempre seguindo os conselhos inteligentes deles ou se dando mal ao não seguir.

Em “Extras”, a relação de Aya com os rapazes não muda tanto. Seu irmão mais velho é melhor que ela. O amigo do irmão é mais inteligente. O rapaz por quem ela se apaixona se operou para ser sempre sincero, e ela é uma mentirosa da mídia que trai suas amigas.

Na minha opinião, Westerfeld quer dizer que meninas podem até salvar o mundo, mas suas motivações são os homens e eles têm muito mais qualidades que elas.

Uma pena. Tanto potencial jogado fora dessa forma. Ainda tem três livros para eu ler (os que ainda não foram lançados no Brasil, e dois são graphic novels) mas não sei se vou ter paciência de ver mais uma mulher cheia de potencial virar marionete de rapazes melhores que ela.

Disso, basta a vida.

Outra coisa que me irrita , mas nem deveria entrar neste mérito, é a capa. Brancos, olhos claros. Não tem esse tipo de descrição no livro. Eles têm, sim, pele lisa, olhos grandes de bebês, o mesmo padrão na cor de pele – mas nada é dito que é o NOSSO padrão de beleza. Entretanto, se tem algo que essa trilogia ensina, é a não julgar um livro pela capa.

Vale a leitura, mas saiba do machismo e fique com raiva de Westerfeld comigo.

Um vício em John Green

Depois de A Culpa é das Estrelas e Cidades de Papel, ficou claro que John Green é um amorzinho. Os livros, sempre com adolescentes lidando com a vida nova, têm personagens cativantes e são tão bem escritos que a gente acaba viciando. Como eu já tinha outros, retomei a leitura e terminei as obras.

O que mais gosto de Green é que, falando de adolescentes, ele fala de jovens adultos também. Porque eu também tenho meus problemas de identidade, de segurança, e Green me faz pensar sobre isso e amadurecer. Além disso, as personagens são muito profundas e cativantes. Vontade de abraçar todos.

Se você gosta de histórias leves para ler rápido, cara, esse é seu autor.

Will & Will

Eu fui meio burra nesse livro. Apesar da linguagem claramente dizer que os capítulos ímpares são de um Will e os pares de outro, demorei pra entender que era isso. Gostei demais. Me emocionei e tudo. Ser gay, depressivo e tímido na adolescência é dificílimo – mas acho que lidar com isso, quanto antes, melhor. A ajuda pode vir de onde menos se espera.

Em uma noite fria, numa improvável esquina de Chicago, Will Grayson encontra… Will Grayson. Os dois adolescentes dividem o mesmo nome. E, aparentemente, apenas isso os une. Mas mesmo circulando em ambientes completamente diferentes, os dois estão prestes a embarcar em um aventura de épicas proporções. O mais fabuloso musical a jamais ser apresentado nos palcos politicamente corretos do ensino médio.

[learn_more caption=”Spoiler? Frase que destaquei”] Você gosta de alguém que não pode retribuir o seu amor porque é possível sobreviver ao amor não correspondido de uma forma impossível no caso do amor uma vez correspondido.[/learn_more]

 

O Teorema Katherine

Tem coisa melhor que um protagonista superdotado? As notas de rodapé são maravilhosas. Esse livro é um dos mais leves de Green; não tem emoções tão fortes quanto os outros. Mesmo assim, dá para entender matematicamente alguns dos buracos que a gente tem dentro da gente.

Após seu mais recente e traumático pé na bunda – o décimo nono de sua ainda jovem vida, todos perpetrados por namoradas de nome Katherine – Colin Singleton resolve cair na estrada. Dirigindo o Rabecão de Satã, com seu caderninho de anotações no bolso e o melhor amigo no carona, o ex-criança prodígio, viciado em anagramas e PhD em levar o fora, descobre sua verdadeira missão: elaborar e comprovar o Teorema Fundamental da Previsibilidade das Katherines, que tornará possível antever, através da linguagem universal da matemática, o desfecho de qualquer relacionamento antes mesmo que as duas pessoas se conheçam.

Uma descoberta que vai entrar para a história, vai vingar séculos de injusta vantagem entre Terminantes e Terminados e, enfim, elevará Colin Singleton diretamente ao distinto posto de gênio da humanidade. Também, é claro, vai ajudá-lo a reconquistar sua garota. Ou, pelo menos, é isso o que ele espera.

[learn_more caption=”Spoiler? Frases que destaquei”]Os livros são o melhor exemplo de Terminado: deixe-os de lado e eles o esperarão para sempre; dê-lhes atenção e sempre retribuirão seu amor.

Porque assim você não é nem um bom amigo, nem um bom namorado, nem sei lá mais o quê, porque só fica pensando que pode-ser-que-eles-não-gostem-de-mim-pode-ser-que-eles-não-gostem-de-mim, e adivinha? Quando você age assim, ninguém gosta de você.

Não acho que nossos pedaços perdidos caibam mais dentro da gente depois que eles se perdem.[/learn_more]

 

Quem é você, Alasca?

Me avisaram, antes de eu começar a ler, que era um livro triste e que John Green está virando um aprendiz de George R. R. Martin e mesmo assim me surpreendeu. Seguindo seu estilo costumeiro, conta a história de Miles, que vai para um colégio interno no colégio. Infelizmente fazer amigos também pode significar… bem… perder amigos. Acho esse o segundo livro mais forte do Green, depois de A Culpa é das Estrelas.

Miles Halter é um adolescente fissurado por célebres últimas palavras que, cansado de sua vidinha pacata e sem graça em casa, vai estudar num colégio interno à procura daquilo que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de o “Grande Talvez”. Muita coisa o aguarda em Culver Creek, inclusive Alasca Young, uma garota inteligente, espirituosa, problemática e extremamente sensual, que o levará para o seu labirinto e o catapultará em direção ao “Grande Talvez”.

[learn_more caption=”Spoiler? Frases que destaquei”]Imaginar o futuro é uma espécie de nostalgia.

O problema do café instantâneo é que ele cheira bem, mas tem gosto de bile

Em algum momento, todos nós olhamos em volta e percebemos que estamos perdidos num labirinto.[/learn_more]

No aguardo para livros novos. Que na verdade já tem! É um livro de contos de Green com outros dois autores. Espero um dia escrever histórias tão legais 🙂

Porque “O mundo de Sofia” deveria ser leitura obrigatória

Depois que eu li “O Mundo de Sofia” minha mente abriu como uma janela para um mundo maior. Eu não sabia que isso ia acontecer: nem isso de ler o livro todo, nem do resultado ser tão assustadoramente real.

O livro é fácil de entender, muito mais do que eu esperava. A leitura flui muito bem, parece uma brincadeira. Um professor dá a Sofia um curso de filosofia por correspondência e, como podemos ler as cartas, aprendemos juntos.

Além da parte da filosofia, tem também toda uma trama muito envolvente sobre a própria Sofia, seu professor de filosofia e uma misteriosa Hilde. Mas a verdade é que:

pocahontas-fucks-i-give

Ninguém se importa. É só uma linha para ajudar a levar a filosofia por quase 500 páginas. (e é bem legal mas não é o foco).

Vou tentar fazer um resumo de cada filósofo abordado no livro e o que ele prega. Dessa forma, não é spoiler, certo? Nossa própria história é domínio público – e deveria ser spoiler naturalmente.

  • Os pré-socráticos, que usavam a filosofia como ferramenta para entender o mundo ao redor a partir da observação e experimentação, pelos sentidos, e não por deuses místicos;
  • Os sofistas, que começaram a questionar a sociedade e seus costumes;
  • O neo-platonismo, que dividia o mundo em dois pólos: o luminoso tocado por Deus e o sombrio, que representava a ausência de Deus (como o escuro é a ausência de luz).
  • Jesus e sua influência no oriente e ocidente, dado que as religiões orientais são cíclicas (quando tudo acabar vai recomeçar) e as ocidentais são lineares (tudo teve um começo – como Adão e Eva – e vai acabar – no Apocalipse).
  • A Idade Média e como ela teve, sim, filósofos (São Tomás de Aquino) e como foi importante para as artes.
  • O Renascimento que retorna às filosofias antes de Cristo. Onde a ciência começou a cuidar de entender o mundo físico.
  • O Barroco, que rompe com o Renascimento, buscando vaidade e irracionalidade;
  • Descartes, pai da filosofia moderna, queria empregar a lógica na filosofia.
  • Spinoza, que acreditava que o homem tinha de se libertar dos sentimentos e sensações para encontrar a paz e ser feliz;
  • Locke e Hume, filósofos empíricos, que acreditava em seus sentidos para saber a verdade;
  • O bispo Berkeley, que também era empírico, dizia que só existia o que nossos sentidos podem perceber (então se parar de olhar para algo, tal coisa para de existir).
  • A época do Iluminismo onde finalmente se viu todos os homens como iguais, a escravatura parou de fazer sentido e foram criados os primeiros direitos humanos (minha época favorita)
  • O Romantismo e todo o exagero que a época traz;
  • Marx e sua visão de Estado ideal
  • Darwin e como ele revolucionou a resposta de “quem somos” e “de onde viemos”.
  • Freud, pai da psicanálise, que começou a estudar nosso subconsciente.
  • E finalmente um pouquinho de Nietzsche e o nosso tempo.

Tem um resumo que me ajudou a lembrar tudo isso, claro. O que eu quis dizer com essa lista é que a filosofia surgiu como uma ciência para estudar nosso meio, entender processos simples da natureza, retirar a mística de deuses e questionar a existência – dessa forma, fazendo os seres humanos evoluírem como raça. Porque se algo nos difere dos animais, é a capacidade de nos questionarmos tal pergunta; aprender com nossos ancestrais, de forma que a história da humanidade é a nossa história; e repassar nossas próprias ideias adiante.

[learn_more caption=”Agora sim, spoiler: frases que destaquei”] quando se apercebia que um dia teria desaparecido, compreendia claramente que a vida era infinitamente valiosa.

Chamamos “agnóstico” àquele que diz não poder afirmar com segurança se Deus existe ou não.

Aqueles que perguntam são sempre os mais perigosos. Não é perigoso responder. Uma simples pergunta pode ser mais explosiva do que mil respostas.

Todos os homens precisam de comida, calor, amor e atenção.

o homem só é feliz quando pode desenvolver e usar todas as suas faculdades

A concepção aristotélica da mulher é particularmente grave porque se tornou predominante durante a Idade Média, e não a de Platão.      Deste modo, também a Igreja herdou uma concepção da mulher para a qual não há justificação nenhuma na Bíblia.

A visão filosófica não tinha apenas um valor em si mesma, como ainda devia libertar os homens da angústia da morte e do pessimismo. Desta forma, apagaram-se os limites entre a religião e a filosofia.

Os “cínicos” defendiam que a verdadeira felicidade não dependia de coisas exteriores, como o luxo material, o poder político e uma boa saúde. A verdadeira felicidade significava não se tornar dependente dessas coisas casuais e efêmeras. Precisamente por não repousar sobre essas coisas, a felicidade podia ser alcançada por todos. E uma vez alcançada não se podia voltar a perder.

o remédio quádruplo: Não precisamos temer os deuses. Não precisamos de nos preocupar com a morte. É fácil atingir o bem. O mal se suporta facilmente”.

“mística ocidental” — ou seja, no judaísmo, no cristianismo e no islamismo

“mística oriental” — ou seja, no hinduísmo, no budismo e na religião chinesa

“Deves amar o teu próximo como a ti mesmo, porque tu és o teu próximo.

os judeus pertencem à cultura semítica. Os gregos e os romanos pertencem à cultura indo-européia.

“Júpiter” (na realidade “Iovpater”, ou seja, “pai Iov”),

os semitas ocupam-se da historiografia

No islamismo, existe uma aversão geral pela fotografia e pela arte plástica.

os racionalistas consideravam que o fundamento de todo o conhecimento humano residia na razão. E sabemos ainda que os empiristas achavam que todo o conhecimento sobre o mundo provinha da experiência sensível.

adversários enérgicos são o melhor que pode acontecer a uma idéia.

tu és filha do teu tempo.

a classe dominante numa sociedade que determina o que é falso e o que é correto

é importante perguntar mas não é preciso pressa para responder. [/learn_more]

Eu descobri que esse vazio que eu sinto às vezes não é vontade de fazer algo que faça sentido, mas encontrar sentido na vida que a gente leva. E percebi que cada pequena coisa pode ser pensada. A televisão, por exemplo. É uma pequena coisa, uma coisa cotidiana, a gente até esquece e nem percebe que assiste.

Quando você para pra pensar, a TV passa o que vende – e o que agrada é o reflexo do povo que nós somos. Nós vemos mulheres sendo humilhadas em jogos sem sentido, histórias de fantasia, o horror da violência cotidiana e já não nos assustamos mais. Isso mostra que a educação do nosso povo precisa de mais carinho. Sem educação, sem esse estímulo ao raciocínio, engolimos o que é passado mastigadinho com confetes, enfeites e neón.

O que preocupa é que eu faço parte de uma parcela muito pequena e privilegiada da população que fez colégio particular, faculdade, inglês e li um monte de livros esse ano – e só pensei nisso tudo da TV agora e com ajuda. É assustador como nossa mente é pequena e fechada. Um pequeno broto de feijão no algodão esperando ser adubado para crescer.

O Mundo de Sofia é um adubo poderoso e não tem gosto amargo de remédio. Eu devia ter lido há muito tempo – mas nunca é tarde demais.

Cidades de Papel

John Green ficou conhecido por A Culpa é das Estrelas não só por mim como também para a maioria de seus leitores. Em agosto o escritor lançou um novo romance sobre adolescentes, mas totalmente diferente de seu best-seller.

Sinopse

Em Cidades de papel, Quentin Jacobsen tem uma paixão platônica pela magnífica vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman. Até que em um cinco de maio que poderia ter sido outro dia qualquer, ela invade sua vida pela janela de seu quarto, com a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. E ele, é claro, aceita.
Assim que a noite de aventuras acaba e um novo dia se inicia, Q vai para a escola e então descobre que o paradeiro da sempre enigmática Margo é agora um mistério. No entanto, ele logo encontra pistas e começa a segui-las. Impelido em direção a um caminho tortuoso, quanto mais Q se aproxima de Margo, mais se distancia da imagem da garota que ele achava que conhecia.

O que mais gostei nesse livro é que, apesar de ser do John Green e você até identificar que é dele durante a leitura, apesar até mesmo de ser sobre um amor adolescente, não tem nada a ver com A Culpa é das Estrelas. Não tem a mesma fórmula, apesar de também ter uma viagem. O fato é que os personagens buscavam aqui e ali era outra coisa.

[learn_more caption=”Spoiler? Frases que destaquei”] Antes eu podia sair de casa feito uma cidadã normal. Era só sair pela janela e pular do telhado.

Isso sempre me pareceu tão ridículo, que as pessoas pudessem querer ficar com alguém só por causa de beleza. É como escolher o cereal de manhã pela cor, e não pelo sabor.

(…) ela mantém a boa forma se alimentando somente da alma de gatinhos e dos sonhos de crianças carentes.

Quando você fala coisas ruins das pessoas, nunca deve dizer a verdade, porque depois você não pode negar tudo, entende?

Uma dica: você fica bonitinho quando está seguro de si. E menos quando não está.

(…) queimando o futuro para se manterem aquecidas.

Nada é tão tedioso quanto o sonho alheio.

Conversar com um bêbado era o mesmo que conversar com uma criança de três anos extremamente feliz e com dano cerebral.

Eu me sentia tão distante de toda aquela merda, daquela palhaçada de “agora que o colégio está acabando nós temos que amar uns aos outros”.

Era disso que eu mais gostava a respeito de meus amigos: ficar de bobeira, contando histórias.

É muito difícil ir embora — até você ir embora de fato.

— Ai. Meu. Deus. Tem gosto de esperança.

É tão fácil se esquecer de como o mundo é cheio de pessoas, lotado, e cada uma delas é imaginável e sistematicamente mal interpretada.

Eu olhava para baixo e pensava que eu era feita de papel. Eu é que era uma pessoa frágil e dobrável, e não os outros.

Imaginar ser outra pessoa, ou que o mundo pode ser diferente, é a única saída. É a máquina que mata fascistas.

Pode-se sobreviver a tudo, exceto à última coisa.
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Foi bom poder voltar à minha adolescência com Q e Margo. Eu era muito mais parecida com o Q, perdi um tempo absurdo da minha vida fazendo a coisa certa (o que consistia em tentar agradar meus pais e a direção da escola), mas no fundo eu queria ter a coragem de ser rebelde. De me procurar e saber quem eu era. De deixar de ser essa pessoa de papel, tão frágil e dobrável pelas outras.

(não que eu esteja velha demais pra isso)

Minha maior “arte” foi matar aula para comprar ingressos pro show do Linkin Park, haha. Claro que tudo que a gente vive, as decisões que a gente toma, formam quem a gente é. Eu gosto de quem eu sou, de ser responsável e a louca dos horários e das coisas do trabalho. É que dois meses em casa me dão vontade de… sair.

Enfim, o livro é excelente. Rápido, com um ótimo ritmo, não tem lá um grande roteiro, mas faz você realmente pensar no adolescente que você foi/é. Na pessoa que você é. Não gostei muito do final, e mesmo assim não sei direito como eu gostaria que ele fosse.

Mais ou menos como a minha vida. Não gosto muito de estar aqui sentada sem viver direito, mas não sei ao certo como eu estaria se o acidente não tivesse acontecido. Provavelmente, pior. Então, aproveite o hoje pra fazer o melhor que você pode. Divirta-se. Encontre-se. Mas seja profundo e não bidimensional, como uma folha de papel.