Banho de chuva

Banho de chuva

Estamos no meio de setembro, está chegando a primavera e junto com ela volta o calor, os mosquitinhos de luz e a estação das chuvas. Em São Paulo, pelo menos, era assim; aqui em Santa Catarina não há uma “estação das secas”.

Aqui é tudo muito úmido, chove o tempo todo – daquelas chuvas fortes, assim, não aquelas que só melecam tudo. O tempo muda de um dia para o outro e o vento é uma constante: não tem aquilo de “está ventando, logo vai chover”. Aqui venta sempre, chovendo ou não.

Aí tem esse dia que você já está atrasada e o gato achou uma boa marcar território pela sala toda e o marido tem hora fixa para entrar no trabalho, mas você não, então você fica para trás para lidar com isso de trocar fraldas de bebês não-humanos, se perguntando por que raios gatos não podem só se amar de uma vez, e o marido avisa “não está frio, mas vai chover pra caralho”.

Sua primeira reação? Duvidar, lógico. Vou acreditar em previsão meteorológica de homem? Pfff. Ainda assim, procura infrutiferamente o guarda-chuva, não encontra, está atrasada, sai correndo.

Está calor. E você considera tirar a blusa de lã imediatamente.

Aí começa a chover. E você começa a andar mais rápido, daquele jeito desajeitado, porque quando chove os ferros dóem e você tem esse pânico de cair e começa a se imaginar escorregando, caindo no asfalto e sendo atropelada, mas respira fundo e se concentra, é só apertar o passo.

A chuva parece que sabe que você está com pressa e começa a chover ainda mais. Os pingos, que já eram grandes, ficam cada vez mais próximos um dos outros, e começa a ventar, e a chuva em Florianópolis parece que chove na horizontal, é uma parede de chuva, e a única diferença entre isso e o mar é que você está indo para o trabalho, de jeans e blusa de lã, não pra Canasvieiras de biquíni. (poderia).

Então você sente a derrota, a franja começa a pingar, sua blusa já tá ensopada, tipo o Kuzco no começo d’A Nova Onda do Imperador, a meia molhada shegh, shegh, e chega até o ponto, todo mundo te olhando, mas tudo bem, porque você conseguiu pegar o ônibus.

…onde esqueceram todas as janelas abertas e todos os bancos estão molhados.

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