Artrodese de tornozelo

Ontem fez dois anos da minha segunda operação no tornozelo. Quebrei o tálus em 2011, colocando dois parafusos, mas sentia muita dor até 2013, como uma faca entrando entre os ossos a cada passo. Deixei de ir almoçar com o pessoal, por exemplo, porque não aguentava andar até o restaurante. Precisei da ajuda de uma bengala. Enfim, estava difícil.

Voltando ao ortopedista, fiz exames e o tálus não estava recebendo irrigação sanguínea o suficiente. O osso estava necrosando e, a cada passo, eu pressionava meus nervos – por isso doía tanto. Tive duas opções: esperar o fluxo sanguíneo voltar à região, que poderia ou não acontecer, ou fazer uma artrodese de tornozelo.

A artrodese é a junção de uma articulação e pode ser feita em outras partes do corpo também. Portanto, ao fazer isso, eu não conseguiria mais mexer o tornozelo. Um ferro seria colocado na minha perna, outro entrando pelo calcanhar, formando um “L”. Isso me sustentaria, de forma a não pressionar mais o nervo, e eu sentiria menos dor.

Meu pé.

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Escolhi pela operação porque estava em um emprego estável, morando perto dos meus pais, parecia um bom momento.

A operação foi tranquila, fiquei poucos dias no hospital. O médico até queria me liberar antes, mas estava com bastante dor e não quis voltar. Fiquei três semanas sem poder colocar o pé no chão. Depois tiramos o gesso e aí, vacilante, comecei a dar os primeiros passos.

Meu dedão ficou muito sensível. Eu não conseguia dormir sem tylex e prebictal porque só do lençol passar nele era uma agonia terrível. Eu sentia umas cãimbras também, sem poder esticar o pé. Foi meio incômodo. Isso foi no inverno de 2013, que fez um tanto de frio, o que dá mais dor.

Meus primeiros passos foram difíceis. Tentava pisar na ponta do pé mas não tinha força o suficiente ainda. O pé ia pra frente, virado pra fora. Era meio engraçado. Fiquei com medo de andar daquele jeito pra sempre.

Fiz fisioterapia e novos exames e eventualmente o médico disse que ele fixou meu pé com um ângulo, e não reto, “já que mulher usa saltinho”. Fiquei muito, muito brava, porque ele fez isso sem me consultar. Eu já tinha uma perna maior que a outra, eu nunca usei saltinho nenhum, e ele assumiu, pelo meu gênero, que eu queria isso. Demorei mais de ano até achar um sapato com o ângulo correto, a altura de salto ideal. Mas comprar tênis, por exemplo, é um inferno.

Bem, hoje sinto menos dor, mas ainda a sensibilidade é meio esquisita. Sinto o nervo desde os parafusos na perna até o dedão. Meu pé aumentou um número, graças ao parafuso no calcanhar, e minha unha do dedão vive encravando.

Não consigo correr nem pular. Se eu fico em pé muito tempo (tipo, ontem teve uma festa e fiquei sei lá das 18h às 22h em pé), dói bastante. Hoje incha menos, mas no primeiro um ano inchava demais. Demais mesmo. Precisei voltar a usar meia de compressão. Eu consigo fazer yoga do meu jeitinho, rs, mas é bem ruim não conseguir ficar em pé com o pé retinho. Descer escadas também foi um desafio, mas hoje consigo um pouco melhor.

Precisei fazer nas circustâncias mas hoje me arrependo um pouco. Veja bem, o tornozelo dói menos: esse inverno que começou, que estou em Santa Catarina, está bem ok. O yoga aqui ajudou bastante. Mas entrei em contato com outras formas de ver o problema, a forma como seu corpo reflete as angústias da alma. Nesse sentido, e também se tivesse feito yoga antes, talvez não precisasse ter fixado a articulação.

Demorei dois anos para escrever esse texto porque não quis escrever antes de estar 100% curada. Daqui pra frente pode melhorar um pouco mas não deve mudar muito. Se você precisa fazer, vai dar tudo certo: consigo andar numa boa, fazer minhas coisas, vida segue. Mas se você tem opção, dá outra olhadinha. Toda articulação faz falta. E, claro, se você for mulher, lembre-se de comunicar ao seu médico se você quer ou não um “saltinho”.

17 comments

  1. Olá tudo bem! Vou ter que fazer artrotese no talus do pé esquerdo, hoje sinto muita dor e já estou sentindo dor na coluna e no joelho direito.Minha pergunta é após a cirurgia você consegue andar normalmente, você consegue trabalhar normalmente?
    se puder manda e-mail rogerioengproducao@yahoo.com.br

    • Eu tenho Artrodese no tornozelo direito nunca mais foi a mesma coisa eu trabalhava DE Inspetor numa Multifucional de carros , ficava em pé o dia todo hoje a minha condição elabora diminui muito e eu não posso mais fazer essa tarefa só posso trabalhar em sentada, e não posso pegar peso, então o INSS tem de pagar 50% do salario de afastamento pelo resto da vida eu já recebo a 5 anos . É TIPO uma indenização pelos danos .

  2. Boa noite, eu tenho pé torto congênito, fiz três cirurgias quando criança, a primeira eu fiz com oito meses de vida. Mas combo crescimento ele voltou a entortar e passei a ter muita dor e então foi necessário fazer mais duas cirurgias.
    Mas a medida que os anos passava o pé voltava a entortar e as dores ficavam mais fortes, como eu já não tinha mais crescimento ósseo a cirurgia convencional já não era indicada. Foi então que os médicos passaram a indicar uma artrodese total do pé. Tive um pouco de resistência no início, passeio com vários médicos, mas já estava vivendo a custa de injeções diárias. Então resolvi fazer as artrodese, tentamos inicialmente uma artrodese parcial, deixando um pouco de movimento, mas não deu certo e tive que fazer a artrodese total. Hoje não tenho nenhum movimento no pé. A vantagem é que não tenho mais nenhuma dor no pé, tenho alguma dificuldade em andar em terrenos irregulares. Mas hoje descobri que com o calçado certo, acompanhamento médico e um pouco de paciência, eu vou poder voltar a correr.

    • Oi Marcos! Que bom que esta bem! eu tambem nasci com os pes tortos congenitos, fiz cirurgia quando criança mas meu pe direito ficou equinovaro. ia levando muito bem mas deposi que um passageiro deixou uma mala cair no meu pe, ele nunca mas foi o mesmo. Tinha uma haste nesse pe e ela se quebrou ai fiz a cirurgia para retirar o pedaço quebrado em março2015 e a correçao do equino com fixador externo mas meu tornozelo doia muito fiz a artrodese em setembro desse ano e estou me recuperando ainda. Quianto tempo voce levou para se recuperar de sua artrodese?

  3. Boa tarde.
    Estou pesquisando sobre a Artrodese, estou apavorada só em pensar que preciso fazer no tornozelo direito. Há 26 anos tive fratura exposta grave e fiz cirurgia com parafuso e fio de kirschner, após isso sempre tive dor, mas a um ano consegui fraturar o tornozelo esquerdo, tudo em função disso. Forcei muito o direito e este ficou bem pior, hoje está sendo insuportável a dor. Meu medo é de não poder levar uma vida normal após a cirurgia, ou mesmo continuar com a dor. Gostaria de saber se hoje você está bem, espero notícias. Abraço

  4. Olá fiquei muito sensibilizada com a tua história pois estou passando pela mesma situação,
    Sofri uma grande lesão no tornozelo já fiz 4 cirurgias estou com artrose e ontem fui ao médico e ele disse Q no futuro terei Q fazer mais uma cirurgia colocando punks e deixando meu tornozelo estável como o seu,sinto muitas dores e já estou desanimada com tudo!!

  5. Olá, minha irmã fez uma cirurgia recente no Talusa (21 dias), mas ainda está com a bota ortopédica, ela também fraturou Tíbia e Fíbula da outra perna, gostaria de saber em quanto tempo pode ser diagnosticado a possibilidade de ter que fazer uma Artrodese.

    • No meu caso demorou uns 2 anos depois da fratura original… Mas pode ser que o osso dela cicatrize e nem precisa 🙂

    • Boa tarde,

      Há praticamente 06 meses sofri um acidente de motocicleta e fraturei o tálus esquerdo, foi uma fratura gravíssima ( apesar de já ser uma fratura grave). Meu tálus partiu em vários pedaços, foi feito a reconstituição dele com parafuso e grampo, mas ao tirar um raio x semana retrasada ficou completamente visível a necrose. Em 26/09 não havia sinais de necrose, tudo bem! Mas no último raio x agora, no começo de outubro, está totalmente necrosado, foi assutador fui ao médico porque tinha pouca mobilidade e as dores aumentaram muito. Meu médico mandou voltar para duas muletas e estou lutando dia a dia, pediu para retornar em dezembro, disse que existe uma pequena possibilidade do osso recuperar a irrigação sanguínea. Estou trabalhando ( assumi um concurso público, pois estava bem) em uma cidade a 120 KM de distância da minha casa, viajo de moto ( com as muletas amarradas) e estou morando em um hotel que fica a 15 km de distância do meu trabalho.

      Minha articulação se move muito pouco, mas estou com muito medo do osso espatifar, no raio-x parece uma pedrinha de gesso, estou aterrorizado, tendo que fazer tudo sozinho e com muita dor. Acho que vou fazer a artrodese mais cedo, minha qualidade de vida está extremamente comprometida.

  6. fiz a cirurgia no pé artodese com haste retrograda.tem um ano e meio mais fica abrindo e saindo uma secreção branca e o pé doi muito.sera inflamação.ou rejeição.

  7. bom dia, me chamo Jean Lesko sofri um acidente de moto, foi quebrando: cotovelo direito, fratura exposta cominutiva, fratura de tíbia direita, fratura de fíbula direita… já passei por 8 cirurgias e hoje tenho uma haste intramedular no fêmur e uma placa no maléolo direito e para resumir meu tornozelo doí muito… e o medico quer fazer a artrodese… dai vem a pergunta:
    Vou caminha normal?
    Vou sentir dores?
    minha perna vai ficar fina?

    • Olá eu fiz artrodese em 2003 , eu fiquei manca da perna direita, não posso caminhar muito, mais eu consigo fazer todo o serviço de casa sozinha, faço natação, você vai ter uma vida normal não se apavore vai dar tudo certo, você vai se adaptando aos poucos

  8. Sofri um acidente em 21/04/2001, tiveram que colocar placas e parafusos, cinco na fíbula junto à placa e dois no maléolo medial, um outro fixando a fíbula e a tíbia, este porém, fora retirado após 45 dias. Meados de 2015 as dores ficaram mais frequentes; procurei vários médicos e as respostas eram: caso de artrodese ou não tem o que fazer somente fisioterapia, teve médico que mal examinou, pois, era procedimento de outro médico. Encontrei uma médica muito boa e atenciosa, que indicou artrodese, mas, antes fiz um tratamento medicamentoso (sulfato glicosamina + sulfato condroitina) por três meses, mas não teve o resultado esperado, ou seja, a cartilagem entre o tálus e a tíbia continuava do mesmo jeito, sem perspectiva de reação. Então a solução foi a artrodese. A doutora disse que iria colocar mais uns 4 parafusos para a fixação. Procurei outro médico e este me disse que tiraria todos os parafusos e placas, e colocaria somente 5 parafusos com placa, esta um pouco menor que a antiga, e ainda serraria a fíbula próximo ao maléolo( a fíbula estava comprometida por causa dos antigos parafusos e placa). Achei melhor a segunda opção. A cirurgia foi feita em 21/09/2016, fiquei doze semanas com o pé suspenso, já fiz mais de 40 seções de fisioterapia; estava na marcha mas como ainda dói muito, vou começar a fazer hidroterapia. As articulações do pé estão comprometidas, devido a isto, o doutor receitou UC2 afim de tentar salvar estas outras articulações, porque se isso não acontecer terei que enfrentar outra artrodese, desta vez no pé.
    Lhe escrevo somente para desabafar. desde já, obrigado.

  9. Olá..após um acidente de moto sofri uma lesão de lisfranc .. fiz cirurgia e colocação de pinos. Apos quase três anos de muita dor, inchaço e falseamento do pé e muita fisioterapia foi realizada uma RM e foi constatado duas frarutas, tendoes rompidos, artrite, arteose, degeneração ossea, cistos osseos e um estiramento de 2,9 cm no calcaneo.. há 28 dias fiz nova cirurgia de arteodese, mosaicoplastia sendo retirado um pedaço d cartilagem do joelho e uma lasca do femur para encherto em tornozelo. Sinto muitas dores, ainda nao começei a pisar isso deve demorar mais um mes creio. Mas quando vou fazer a yroca de curativos e solto o pe no chão sinto q ele ficou meio virado lara dentro.. ficarei com os movimentos resuzidos a 15% no pé direito.. para agravar tenho um quadro de epifisiolise coxo femural esquerdo. Será q esse fsto de nao poder contar om toda a firmeza do pe direito ira complicar ainda mais o quadril e o proprio le lesionado. Nesses tres anos semlre senti muitas dores e pisava meio de lado para nao doer tanto… espero poder voltar a pelo menos poder ir na panificadota sem o uso de bengalas….

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